No coração verde do concelho de Viseu, Côta é uma aldeia onde…
Nasceu, em Cinfães, a Quinta da Maria, um projeto turístico com alma…
No coração do Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros, há…
Os dias correm, não diria sem interesse, mas sem grandes surpresas. No que se refere às pessoas, creio que os seus interesses culturais se regem pelo gosto normal e estabelecido. Quanto à beleza física, só a minha colega Emanuela se evidencia: é bonita, meiga e um tanto enigmática. Mas o aspeto físico não é tudo, mas sim o nível das preocupações, a qualidade dos desejos e a simpatia.
Como dizer que, apesar da ausência da Fátima, estou bem? Vivo cada dia. A saudade, a melancolia, a depressão são mais breves, não chegam a atordoar. E se isto não significa alegria, também não implica indiferença. Sinto-me vivo. Se a finitude do humano ainda me perturba, consigo encará-la com ironia, mais docemente. Um sentimento que me assalta muitas vezes é o de me sentir vivo; de repente, tenho consciência nítida dos meus passos, dos meus gestos, do meu corpo, do aqui e agora.
6 de Novembro de 1982
De repente, ocorreram-me estas questões: Como formar um filho? Crescer com ele, fazer o caminho com ele. Como? Respeitando-lhe a autonomia, mas ao mesmo tempo salvaguardá-lo dos abismos, da derrota, da falsidade, do ouro, da ignorância que não se sabe ignorante, do folclore arrivista deste mundo do lucro e do espetáculo. Em poucas palavras, ajudá-lo a fazer-se humano e por isso também divino.
Um filho, ou filha, serão a prova dos nove de toda a filosofia pensada, da pedagogia aprendida, de toda a literatura lida; tudo convocado para a árdua tarefa da formação. Mais a disponibilidade interior, e a invocação da esperança e do encantamento.
De cada vez que nascesse uma criança dever-se-ia inventar um novo mundo. Sem os erros antigos, as armadilhas e os velhos vícios. Recriação. Reencantamento.
Na verdade não é um mundo novo o que recebe a nova geração. Mas duro, ingrato, superficial, que devora o que há de mais sagrado. E que impõe um estilo de vida que corrói toda uma possível pureza interior. A brutalidade da realidade a esmagar qualquer veleidade ou ilusão. Somos seres para a morte! Pessoas, objetos, símbolos, vivências, tudo passará. Sem hipótese de resistência.
A vida continua, diz-se. Devorando tudo. Sem sentido. Sem redenção. Sem memória. Como folhas secas varridas pelo vento.
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Joaquim Alexandre Rodrigues
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Ana Isabel Duarte
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Vítor Santos
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Henrique Rodrigues Santiago