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Se o setor termal já não atravessada uma boa fase devido à pandemia, a crise energética veio agravar as contas destas empresas, que se dedicam aos tratamentos de saúde e bem estar.
Por um lado, pelos gastos que têm com o consumo de energia e, por outro, pela quebra no poder de compra, provocado pelo aumento de preços.
“A partir do mês de junho começou a ser muito diferente de 2019, em que tivemos um bom ano e que servia de referência. Quando a inflação começou a apertar os portugueses e preço da energia a subir, as pessoas com menos recursos deixaram de aparecer e começámos a ter uma quebra grande”, explica Jorge Loureiro, das Termas de Alcafache, no concelho de Viseu.
Segundo o responsável, relativamente a 2019, a empresa teve quebras “de 19 por cento”. Ainda assim, afirma, não são dos casos mais graves, isto porque as Termas de Alcafache, assim como as de São Pedro do Sul ou do Carvalhal, têm águas com temperaturas que não requerem aquecimento.
“A nossa sorte é que temos água quente a 50º e não temos que a aquecer. Quem tem de o fazer tem problemas mais complicados. E, além dos gastos energéticos, há a baixa de clientes”, frisa.
Energia geotérmica pode ser parte da solução
Para Vítor Leal, presidente das Termas de São Pedro do Sul, é preciso alertar para as dificuldades do setor, mas garante que já estão a ser tomadas algumas medidas.
“Em São Pedro do Sul estamos a desenvolver um projeto com os nossos parceiros para tentar criar uma comunidade de energia renovável e tentar encontrar outras fontes alternativas de produção de energia elétrica. Por outro lado, temos o projeto geotérmico e esperemos que esteja concluído na próxima primavera.
Este projeto, explica, “pretende levar calor a todas as unidades hoteleiras da localidade, além dos próprios balneários”, usando as águas quentes.
Vítor Leal, que é também presidente da Associação Termas de Portugal, explica ainda têm “sensibilizado o Governo para alargar avisos de candidaturas a novas estâncias termais, para que possam aproveitar a energia geotérmica das suas águas, para aquecer quer seja o seu balneário ou as unidades hoteleiras envolventes”.
A Associação Termas de Portugal está também a fazer um levantamento dos gastos das estâncias termais do país, um “dossier preocupante” que esperam levar ao Governo.
“Estamos a terminar um levantamento de custos de contexto pós pandemia, custos com eletricidade e gás, para perceber qual o valor desse custo associado a cada utente, de modo a levar esse dossier preocupante ao Governo, para encontrar-mos alternativas para ajudar as empresas”, explicou.
Apoios precisam-se, mas a longo prazo
Além dos apoios “a curto prazo”, o setor acredita que são necessárias soluções que ajudem a longo prazo.
“Os apoios são bem vindos, mas não é só para mitigar os custos de curto prazo, mas de fundo”, afirma Adriano Barreto, das Termas do Centro. Para o responsável, mecanismos que ajudem na “reconversão energética das empresas” é fundamental.
“Deverá haver apoios, mas sempre na reconversão dos sistemas instalados, no sentido de as estâncias gastarem menos, como apoios para a geotermia ou painéis fotovoltaicos”, frisa, lembrando que “o que as termas podem fazer, já estão a fazer”.
“Já se está a utilizar os tratamentos geotérmicos no sentido de aproveitar o calor da água para aquecer. Antes destes aumentos já estávamos a tentar aproveitar ao máximo esta opção, e agora ainda mais. As estâncias tem estado a tentar encontrar fontes alternativas de energia elétrica e tentar reduzir os consumos com equipamentos mais eficientes”, finaliza.