No coração verde do concelho de Viseu, Côta é uma aldeia onde…
Nasceu, em Cinfães, a Quinta da Maria, um projeto turístico com alma…
No coração do Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros, há…
A castanha e a quebra na produção foram discutidas no Capítulo de Outono organizado recentemente pela Confraria de Saberes e Sabores da Beira ‘Grão Vasco’ em Viseu e que marcou a retoma das atividades normais da instituição depois da pandemia.
O professor e investigador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, José Laranjo, foi o orador convidado num evento que juntou cerca de meia centena de participantes.
José Laranjo, um dos mais conceituados investigadores a nível internacional na temática do castanheiro e da castanha, alertou para a quebra significativa da produção da castanha este ano, referindo que as perdas rondam os 40 por cento a nível nacional. A castanha tem uma forte produção na região de Viseu, em particular no norte do distrito, com destaque para os concelhos de Sernancelhe e Penedono.
O também presidente da REFCAST – Associação Portuguesa da Castanha e vice-presidente da EuroCastanea – Rede Europeia da Castanha referiu que a quebra de produção “teve a principal origem na altura da floração”, defendendo que a seca não foi o principal motivo da baixa produtividade do castanheiro na última campanha.
José Laranjo apontou algumas das lacunas do setor da castanha como a falta de competitividade num ano em que os preços subiram e deixaram os produtores em dificuldades, não conseguindo “competir com os preços praticados pelos produtores italianos, franceses e espanhóis” e acabando por perder alguns negócios “com reflexo nos próximos anos”.
O especialista alertou também para a grande aposta que o Chile está a fazer na produção de castanha, que chega ao mercado europeu em contraciclo, nos meses de abril e maio. O docente defendeu a aposta nas variedades regionais, como a martaínha, que considerou a ‘rainha’ das castanhas, pois concentra “o melhor que podemos encontrar neste fruto”.
José Laranjo frisou ainda que a castanha “não é um fruto seco” e que ela não deve ser guardada na despensa, mas sim no frio para travar o desenvolvimento de alguns fungos, que levam à sua podridão ou a ficar seca, em poucos dias.
No final do evento, José Laranjo e mais quatro pessoas receberam o certificado de confrade titular da Confraria Grão Vasco das mãos do almoxarife José Ernesto Silva. O dirigente da associação revelou no evento que a Confraria marcou para abril do próximo ano um capítulo de entronização de novos confrades.