No coração verde do concelho de Viseu, Côta é uma aldeia onde…
Nasceu, em Cinfães, a Quinta da Maria, um projeto turístico com alma…
No coração do Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros, há…
Este fim de semana (dias 26 e 27 de novembro) o Banco Alimentar regressa em pleno com a habitual campanha de recolha de bens. Depois de ações “a meio gás” devido à pandemia e as consequentes restrições, a iniciativa vai estar no distrito de Viseu em 74 estabelecimentos comerciais.
“Nesta campanha, em especial, estamos muito entusiasmados porque vai ser o regresso em grande, sem restrições e com um maior número de supermercados. Este ano vamos estar em 74 espaços, em vez de 22 como na campanha anterior”, explicou Fátima Ribeiro, presidente do Banco Alimentar de Viseu.
No apoio à campanha vão estar centenas de voluntários, um número que também é bem diferentes das últimas ações. “Estamos a preparar a campanha há dois meses e este ano temos imensos voluntários, mais de 450”, destacou a responsável.
A campanha deste ano está, por isso, a ser pensada “com grande entusiasmo”. “Esperemos que nos ajude a conseguir repor o armazém e a ter os alimentos necessários. Os armazéns em véspera de campanha estão bastante vazios e precisamos de os encher e estamos motivados para o fazer”, afirma.
Apesar de toda a ajuda “ser bem vinda”, leguminosas, como grão ou feijão são os alimentos que costumam ser mais escassos nos armazéns do Banco Alimentar. Arroz ou massa são também precisos, assim como o leite, “apesar de tudo estar mais caro, o que também significa menos poder de compra de quem quer ajudar”, reforça Fátima Ribeiro.
“Sabemos que existe uma grande dificuldade para grande parte das famílias, os alimentos estão mais caros, mas este é um distrito muito solidário e, por vezes, quem tem menos é quem mais ajuda. Mas, toda a ajuda é bem vinda”, sublinha.
Fátima Ribeiro deixa ainda uma mensagem a todos os que queiram ajudar mas que, muitas vezes por vergonha, não o fazem por acharem que dar só um pacote de arroz é pouco. “Tudo o que puderem dar é bem vindo, seja muito ou pouco, não há que ter receio ou vergonha”, diz. E para quem não puder deslocar-se aos supermercados, pode fazer o seu donativo através de uma conta bancária criada para o efeito.
Todos as pessoas com filhos que queiram ajudar no domingo, no armazém, mas que não tenha com quem deixar as crianças, o Banco Alimentar está a preparar algumas surpresas para os mais novos e vai garantir o acompanhamento das crianças. “Temos preparadas algumas coisas e teremos pessoas que estarão a cuidar das crianças que acompanham pais voluntários”, disse.
Há cada vez mais pessoas a pedir ajuda
A crise, a inflação, a guerra e todas as dificuldades inerentes ao atual momento que o país e o mundo atravessam, Fátima Ribeiro conta que há muitas famílias a precisarem de ajuda. Atualmente, o Banco Alimentar apoia 96 instituições, números que gostariam de ver aumentar.
Segundo a responsável, “há muitas famílias que pedem ajuda, mas que até aqui nunca precisaram”. “Toda esta situação, da guerra, da inflação, trouxe famílias que nunca precisaram e que agora se vêm em situações muito complicadas. Há, aliás, famílias que já se tinhas refeito da pandemia e que agora se vêm obrigadas a voltara a pedir apoio”, conta.
Em muitos casos, o Banco Alimentar está a ajudar além da questão alimentar. “Prestamos ajuda alimentar, mas também damos na área social, através de parceiros na tentativa de arranjar emprego, por exemplo. Em muitas situações conseguiu-se resolver”, recorda.
Com a guerra na Ucrânia, Fátima Ribeiro diz que também houve um aumento de famílias de outras nacionalidades a pedir ajuda, nomeadamente refugiados.
“Em diversas situações falamos de pessoas que viviam bem, com cursos superiores e que agora precisam de apoio na questão alimentar. A guerra trouxe-nos bastante famílias refugiadas, mas muitas têm uma capacidade de adaptação e resiliência enormes. Tenho aprendido muito com elas, fiquei muito mais enriquecida desde que chegaram”, diz.