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Jorge Fundo deixou Portugal há oito anos. Natural de Tondela, o arquiteto de 41 anos, encontra-se a viver em Bristol, em Inglaterra, tendo já passado também por Norwich, Bath e Portishead.
“Emigrei em 2014 na procura de uma mudança não só a nível profissional, mas também cultural na busca em explorar novos sítios e enriquecer o currículo profissional em diversas áreas”, explica.
No Reino Unido, Jorge começou por trabalhar na cidade de Norwich, desempenhado a função de desenhador enquanto esperava pela equivalência do seu curso por parte da Ordem dos Arquitetos britânica. Depois, começou à procura de trabalho na área da arquitetura industrial de grande escala, que o levou a morar noutras cidades do sul de Inglaterra como Bath, Portishead, até se radicar em Bristol, onde vive e trabalha há quatro anos.
Já passou por sete empresas diferentes e especializados em áreas específicas, o que para quem vem de fora é bastante enriquecedor a nível de conhecimento técnico e cultural”.
Atualmente, Jorge Fundo é arquiteto sénior numa empresa multinacional. “O tipo de trabalho que faço cá tem algumas semelhanças em relação a Portugal, mas apenas no aspeto construtivo”, diz.
“A grande diferença para além da língua e também a legislação, e a cultura de equipa, a progressão de carreira e respeito pela profissão no Reino Unido, são bastante justas e dignas comparativamente a Portugal”, acrescenta.
Além de arquiteto, o emigrante português é também músico nos tempos livres. Jorge conta que é “bastante fácil encontrar músicos de jazz para tocar em Bristol”, cidade que é “a capital nacional da arte e berço de muitos projetos musicais internacionais”.
O tondelense não esconde que a mudança de país foi desafiante a “vários níveis”. “A barreira linguística e cultural foram as duas primeiras impressões. Gostei muito da forma como fui e continuo a ser recebido pelas pessoas pois é um país onde a emigração é um tema bastante comum”, conta.
“A minha opinião continua a mesma [desde que cheguei]. Agradeço por me acolherem e facultarem a oportunidade para me integrar não só a nível profissional, mas também cultural”, afirma.
O arquiteto garante que nunca se sentiu discriminado ou posto de lado por ser emigrante e explica que a “Inglaterra acolhe de braços abertos quem vem para trabalhar” e aceita “o país como ele é”.
O que mais aprecia no país liderado agora pelo rei Carlos III é “o respeito no trabalho, a quantidade de opções profissionais disponíveis, o espírito multicultural, o sentido de humor britânico e a vasta visão artística”. “Não gosto do clima e da comida”, aponta.
Jorge Fundo tenta visitar Portugal pelo menos uma ou duas vezes por ano para matar saudades da família e amigos, mas também do sol, da gastronomia lusitana e dos afetos dos portugueses, que nesse ponto são bem diferentes do povo inglês.
O regresso definitivo ao nosso país não é posto de lado. Quando lhe perguntamos se pensa em voltar responde: “Sim claro, talvez num futuro próximo”.