Quando faltavam cinco dias para o Ano Novo, Viseu registou o dia mais quente de dezembro. Foi no passado dia 27 que a região atingiu os 15 graus de máxima, a temperatura “fora de época” mais elevada do mês.
A conclusão é do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), que no seu mais recente boletim climatológico também concluiu que a seca terminou em praticamente todo o país.
O relatório climático, que tem uma periodicidade mensal e abrange apenas Portugal continental, refere que dezembro passado foi “muito chuvoso e extremamente quente”, tendo sido o mês de dezembro mais quente dos últimos 92 anos.
De acordo com o IPMA, as temperaturas na região foram mais baixas. Viseu registou no último mês uma temperatura média máxima de 12,2 graus e uma mínima de 7,7 graus. A mínima mais baixa verificou-se a 2 de dezembro, com uma temperatura de apenas 1,6 graus.
Também de acordo com o boletim climatológico de dezembro, a estação meteorológica de Nelas atingiu em dezembro um novo valor máximo da temperatura mínima com 14,2 graus registados no passado dia 13. O anterior maior valor tinha sido atingido em dezembro de 1987, altura em que foram atingidos os 14 graus.
O ano de 2022 também terminou com chuva acima do normal na região. Em dezembro, Viseu registou 320,1 milímetros de precipitação, mais do que os 272,2 milímetros de novembro. No distrito a chuva foi superior em relação à média, variando entre os 150 e os 200%.
Segundo o documento do IPMA, toda a região atingiu o pico de água no solo. No território também não houve registo de seca no último mês. Desde outubro que o distrito de Viseu não está sob seca meteorológica.
O dia em que caiu mais chuva no distrito foi a 20 de dezembro, altura em que foram registados 47,4 milímetros de precipitação. As rajadas de vento atingiram os 67,3 quilómetros/hora no passado dia 12 do mesmo mês.
De acordo com os técnicos da meteorologia, a seca terminou “em praticamente todo o território” de Portugal continental, estando apenas alguns locais da região interior Sul em seca fraca. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera também registou um “aumento muito significativo da percentagem de água no solo”.
O mês de dezembro ficou marcado por vários episódios de chuva ocorridos nos dias 4 e 5, 7 a 9, 11 a 15, 19 e 20, 24 a 26 e 29 a 31, devido à “persistência da passagem de sistemas ou ondulações frontais, com o transporte de massas de ar quente e húmido e instável, alguns com elevados conteúdos em água precipitável, num fluxo predominante de sudoeste ou por vezes de oeste”.
Segundo o IPMA, os episódios de chuva estiveram associados a vento forte, com rajadas que “pontualmente atingiram” entre os 90 e os 120 quilómetros/hora nas terras altas.
O ano passado também foi, de resto, o mais quente em Portugal continental desde 1931, tendo sido registadas seis ondas de calor. A média da temperatura do ar esteve 1,38 graus acima do valor normal registado no período de referência de 1971-2000.
O país registou seis ondas de calor – uma em maio, quatro no verão e uma no outono – e a média da temperatura máxima do ar foi de 22,32 graus, também um valor considerado superior do que o normal, segundo o IPMA. A média da temperatura mínima do ar foi de 10,96 graus.
Classificado “como extremamente quente em relação à temperatura do ar e seco em relação à precipitação”, 2022 foi o ano em que 80% do território de Portugal Continental foi considerado “em seca severa extrema”.