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Carro das Cavalhadas a recriar uma escola primária antes do 25 de abril com imagens de Marcelo Caetano deixou incómodos em alguns espetadores que não compreenderam a mensagem do carro que integrava o desfile na categoria de “tradicional”.
Criado pela “Turma do Funil”, da Associação Lenda Rebelde Associação, de Gumirães, o carro alegórico tinha as fotografias do último Presidente da República Portuguesa do Estado Novo, Américo Tomás, e de Marcelo Caetano, o último Presidente do Conselho do Estado Novo.
O carro alegórico recriava uma sala de aula com cadeiras em madeira, o quadro de giz, as fotografias, o crucifixo e o mapa de Portugal. No quadro estava a data de 24 de abril de 1974.
Na apresentação do carro ao júri, foi explicado o conceito como sendo uma imagem para lembrar o fim da ditadura e uma homenagem ao fundador – Jorge Cartaxo – da Turma do Funil.
Para os criadores, foi uma forma de demonstrar como era a escola antes do 25 de Abril, mas para muitos dos presentes a assistir, a recriação até poderia ser pedagógica “não estivesse um cartaz escrito com a frase ‘saudades da escola’”.
“Não foi a ideia mais feliz. Até podem querer mostrar que atualmente o ensino é diferente, mas não conseguiram fazer passar a mensagem”, comentou José Pinto.
Já Helena Matos disse apenas ser “lamentável” um carro com estes símbolos “em qualquer ano, mas principalmente no ano em que se comemoram os 50 anos de Abril”.
Nuno Fernandes disse não entender a polémica, falando num carro que mostra o passado, mas que não é “saudosista”. “O sentido crítico não está evidente, mas é uma recriação”, sustentou.
“Se fosse uma recriação, aceitaria como outra qualquer. Agora, o dístico ‘Saudade da Escola’ , só pode ser de alguém que não sabe o que era o sistema de ensino nesse tempo”, criticou Jorge Adolfo.
Polémicas à parte, o secular desfile das Cavalhadas de Vildemoinhos voltou a encher as ruas de Viseu de milhares de pessoas para assistir ao desfile de 21 carros alegóricos, bandas filarmónicas ou grupo de bombos. Um desfile dedicado à sustentabilidade, ao desporto e à tradição, mas onde, acima de tudo, se viu a dedicação dos organizadores e dos criadores dos carros, cuja imaginação e mão de obra não teve limites, como salientaram os presentes.