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João Valor
Segundo a cultura popular, a terceira segunda-feira do ano é o dia mais deprimente do mesmo. Para o centro-direita português, esta premissa confirmou-se este ano.
As eleições Presidenciais de dia 18 de janeiro trouxeram algumas surpresas, nomeadamente por ser a primeira vez em 25 anos em que o candidato apoiado pelo PSD não sairá vitorioso. É também a primeira vez em 40 anos que o Presidente não é escolhido à primeira volta – pese embora a probabilidade de ser Seguro a ocupar o Palácio de Belém nos próximos cinco anos seja elevada. Do mesmo modo, o centro-direita, maior grupo eleitoral das últimas três eleições, segue para uma disputa Presidencial órfão de representação.
Derramado o leite, não vale a pena chorar – já o diz o ditado. É bem mais importante compreender de forma racional o que se passou. Fazer prognósticos – sem grande surpresa – carece de menos capacidades que fazer diagnósticos; basta ver os resultados, analisar os dados e dar um pouco de uso àquela coisa estranha que fica entre o osso frontal e o occipital.
Votei em Luís Marques Mendes; era o candidato mais preparado para exercer o cargo. Não só pelos anos de experiência, mas sobretudo pelas características que demonstrou ter durante esses anos – visão para o futuro, inovação legislativa, qualidade técnica, honestidade e ética (por vezes até demais). Considero fundamentais para um bom político estas características, que de resto são comuns à maioria dos Ministros que exerceram funções durante os governos de Cavaco Silva. Enquanto candidato, demonstrou desde cedo conhecer as funções do Presidente da República e saber interpretá-las ao período que atravessamos; capacidade de criar consensos, garante de estabilidade governativa, impulsionador de reformas. Uma porção significativa dos eleitores de centro-direita discorda deste diagnóstico. Segue-se um exercício de dedução sobre as possíveis razões – e consequências – desta situação.
Em primeiro lugar, é preciso perceber para onde foi o eleitor de centro-direita, vulgo, o eleitor da AD. Os dados das sondagens à boca da urna, partilhados pelo Cientista Político português Pedro Magalhães na rede social X, demonstram que o eleitorado da AD andou a passear por todos os candidatos, sendo o mais dividido de todos os partidos. Mendes continuou a ser o que mais captou o eleitorado da AD (31%); os restantes foram sobretudo para Cotrim (27%), escapando ainda de igual modo para Seguro e para Gouveia e Melo (16% cada um). Em quinto aparece Ventura, com apenas 8% (no PS verifica-se no mesmo candidato um valor de 7%, diga-se de passagem).
Verificando-se esta divisão, resta agora perceber as causas – o que obriga a um exercício um pouco mais árduo e menos objetivo. A hipótese que coloco para a dispersão de eleitorado com Cotrim de Figueiredo é simples – a interpretação que se fez do candidato comparava-se com a que se fez de Montenegro em 2024 e 2025; o candidato da mudança, do progresso, do futuro. Creio que esta interpretação é suficiente para explicar também o motivo que levou tantos jovens a escolher este candidato. A AD somou duas vitórias em eleições legislativas porque promovia o sentimento de mudança nos eleitores; um Portugal melhor, do qual não fosse preciso emigrar, onde fosse possível comprar casa e onde salários dignos fossem uma realidade. Foi nesta base que Cotrim fez a sua campanha – quase como se fosse um candidato a umas eleições legislativas.
Os restantes candidatos sobre os quais a AD fez dispersar o seu eleitorado não representam o espaço ideológico. Por outro lado, também não representaram qualquer desígnio nacional, não reconhecendo por isso qualquer lógica no apoio a estes candidatos. Seguro foi igual a si próprio, com uma campanha que começa de forma errática quanto ao seu posicionamento ideológico. Ainda hoje tenho dificuldade em perceber se será um Presidente do centro, da esquerda ou dos DJ’s. Já o Almirante – que também anda a navegar o seu submarino pelo éter das ideologias – conseguiu perder uma parte significativa do eleitorado que tinha no início para Ventura e para Seguro. Só restaram mesmo os apoiantes de Rui Rio, que à semelhança de 2022 não são suficientes para sequer sonhar em ganhar uma eleição.
A natural consequência desta dispersão – que de resto não se fez sentir nas bases eleitorais da esquerda e da direita radical – é que no dia 19 de janeiro, a segunda-feira azul, o centro-direita acordou sem um candidato para apoiar convictamente na segunda volta. Dá que pensar.
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