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Desde 2007 que dirige o Departamento de Bens Culturais da Diocese de Viseu. Foi em novembro nomeada diretora do Secretariado Nacional dos Bens Culturais. Que missão é esta que vai abraçar agora?
É mesmo esse o termo: missão. É um secretariado focado nos bens culturais que faz parte da Comissão Episcopal. Tem o objetivo de definir estratégias que permitam facilitar o trabalho aos organismos das Dioceses, estabelecer pontes, dialogar com todos, incluindo instituições estatais. Em áreas como o restauro, arquivo, bibliotecas, museus. E motivar para que, em todas as dioceses, existam departamentos para os bens culturais, trabalhando em rede. Os recursos são escassos, materiais e humanos, e, por isso, todos temos a ganhar em trabalhar em conjunto. Temos um trabalho técnico e, por outro lado, a forma como se abordam os bens culturais. Queremos promover o património da Igreja, não só pelo valor artístico e estético, mas de que forma comunica as propostas da Igreja para a humanidade.
Não é só a peça, é a mensagem…
É. É aliás isso que torna completa a interpretação do património da Igreja. Se o analisarmos apenas do ponto de vista estilística ou da informação histórica, estamos a deixar de parte aquilo que o essencial: o que é que aquele património significa. Não apenas o que nos transmite adaptado ao mundo contemporâneo, mas trazer à memória aquilo que foi a vivência das comunidades que o produziram: o contexto e o que significava para essas comunidades. É uma estratégia que vou valorizar porque vem na sequência do trabalho que tenho desenvolvido na Diocese. Evidente que o convite para o Secretariado surge como reconhecimento do trabalho que a Diocese tem feito ao longo dos anos. Em Viseu tivemos o privilégio de haver um organismo e uma pessoa a tempo inteiro. É o que falta em algumas dioceses. Esta é uma área muito vasta com tantas frentes de atuação e tão exigente que não é possível desenvolver um trabalho consistente se não houver pessoas dedicadas a tempo inteiro. É preciso mudar esta situação porque vai permitir não apenas salvaguardar o património como, depois, será uma mais valia na presença da Igreja na comunidade.
Ao longo dos 16 anos à frente dos Bens Culturais que entraves encontrou?
Um dos maiores é a falta de recursos financeiros e humanos. Na relação com as comunidades paroquiais houve conquistas, mas também houve dificuldades e perdas, particularmente na salvaguarda dos bens culturais. Houve restauros que escaparam à nossa orientação. Algumas ações são de voluntarismo e de fé. Acham que estão a fazer bem porque não se informaram e acham que têm jeito para pintar, que foi o que aconteceu com aquele famoso Cristo em Espanha. Mas outras vezes recorre-se a empresas. E há casos em que têm técnicos credenciados e que têm ética profissional, mas há outros casos em que, por vezes o dinheiro fala mais alto ou não têm mesmo pessoas com formação adequada. Acho que se resolve tudo com diálogo. Quando as comunidades não entendem, se lá formos explicar e se conseguirmos mostrar de forma simples o porque é que é assim, as pessoas percebem e, de forma geral, a reação é positiva. E fui algumas vezes explicar às paróquias. O mesmo acontece com as flores. As flores não são para desaparecer nas igrejas, mas não têm de aparecer naquela quantidade imensa que se coloca. Para além do gasto que representam é o que provocam do ponto de vista da preservação do património: humidade, proliferação de pólen, insetos… Se isto for explicado assim, as pessoas entendem. Tem de haver muito diálogo. Faz-nos falta comunicar mais.
(Ler mais na edição impressa desta sexta-feira, 15 de dezembro, do Jornal do Centro)