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”Acho que existem muitas pessoas em Portugal a praticar ciência de excelência e às vezes fazemos muito com tão pouco”

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 Feira de São Mateus: Bombeiros resgatam pessoas presas em diversão
15.06.24
fotografia: Jornal do Centro
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15.06.24
Fotografia: Jornal do Centro
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 ”Acho que existem muitas pessoas em Portugal a praticar ciência de excelência e às vezes fazemos muito com tão pouco”

Quando vivia em Viseu já pensava seguir a vertente de investigação ligada à Física?

Não sei bem de onde é que surgiu este interesse, mas lembro-me de já na escola primária saber que quando fosse grande queria ser cientista. Acho que passei da fase de querer ser bombeiro ou polícia para ser cientista logo na escola primária. Claro que na altura não sabia o que é que era Física. Eu achava que ser cientista devia ser espetacular, mas não conhecia as diferentes áreas da ciência. Depois o gosto pela Física foi-se afirmando mais durante o liceu. Andei na Escola Secundária Alves Martins e nessa altura penso que começou a surgir o interesse através de uns livros de investigação científica da Gradiva e na altura o muito famoso livro do Stephen Hawking, “Breve História do Tempo”. Comecei a ler esses livros e a interessar-me cada vez mais por Física. Acho que foi mais ou menos por aí que eu decidi que queria estudar Física quando fosse para a universidade.

Qual o seu percurso após entrar na universidade, no Instituto Superior Técnico?

Eu estudei Física no Técnico e depois fui fazer o doutoramento para Londres, no Imperial College. Estive lá entre 2000 e 2005. Depois em 2005 fui para Princeton fazer um pós-doutoramento. Estive lá dois anos e depois voltei para Inglaterra entre 2007 e 2009, para trabalhar no Laboratório Nacional de Fusão Nuclear do Reino Unido. Em 2009 regressei ao Técnico como investigador e estive lá até 2015. Nesse ano, quando estava no Técnico, uma colega aqui do MIT telefonou-me a sugerir que eu me candidatasse para uma posição de professor. Eles estavam a tentar recrutar um professor e essa minha colega sugeriu que eu me candidatasse. Foi o que fiz. Consegui a posição e mudei-me para Boston em janeiro de 2016.

Durante o seu trajeto foi, portanto, tanto aluno como investigador e mais tarde professor. Na sua opinião, há muitas diferenças no ensino e na investigação científica entre Portugal e países como os Estados Unidos da América ou o Reino Unido?

Acho que em Portugal, na minha área, existe pessoas que têm carreiras internacionais e de excelência. Acho que essas pessoas estão em Portugal, mas podiam estar noutro sítio qualquer do mundo. Mas existem diferenças. Evidentemente que quando se faz investigação científica, quando existe mais financiamento é possível fazer mais coisas. Os recursos que se tem estão inevitavelmente associados aos recursos que o país está disposto a investir ou que pode investir. Às vezes não é uma questão de estar disposto, é uma questão de poder. Por isso, há coisas que se podem fazer quando se tem os recursos de uma universidade rica como o MIT que é impossível fazer noutras circunstâncias. Portugal, em várias disciplinas da ciência, vai muito além daquilo que umas contas baseadas apenas em recursos poderiam sugerir. Os recursos que existem para a investigação em Portugal não são comparáveis com aqueles que existem nos países mais ricos. Contudo, acho que existem muitas pessoas em Portugal a praticar ciência de excelência. Às vezes fazemos muito com tão pouco.

Pensa que Portugal devia investir mais na ciência?

Penso que sim. Acho que objetivamente o investimento em ciência, quer a fundamental, quer aplicada, é sempre algo que tem retorno para a economia de um país, pelo menos a médio prazo. Portanto sim, acho que faz sentido. Às vezes não é uma questão de aumentar a parcela do Orçamento do Estado, mas sim a questão de como essa parcela é gerida. Por exemplo, estabilidade nos fundos que são disponibilizados para os investigadores é se calhar mais importante do que necessariamente aumentar esses fundos. É muito difícil de trabalhar se uma pessoa sabe que pode ter um projeto financiado este ano, mas tem dúvidas se vai ter financiamento no próximo ano. Aí a única coisa que é possível fazer é um trabalho de navegação à vista. Mas quando existe mais estabilidade no financiamento ou quando se pode contar com o financiamento de uma forma estável, isso permite a uma pessoa organizar-se de uma forma diferente e construir equipas mais robustas. Mais financiamento é bom, mas às vezes não é uma questão de mais financiamento, mas sim de como é gerido. Uma questão relacionada com isto é a autonomia que se dá às universidades para gerirem o próprio orçamento e para contratarem pessoas. Objetivamente, penso que em Portugal as universidades têm pouca autonomia e isso constrange a maneira como podem operar. Às vezes essa falta de autonomia não lhes permite ser tudo aquilo que poderiam ser em termos de qualidade, quer de ensino quer de investigação.

Tem estado a estudar a turbulência do plasma enquadrada na Fusão Nuclear. Em que passo é que a humanidade está dentro deste ramo?

As coisas que são a minha especialidade científica direta são apenas uma fração de todas as coisas que são necessárias para desenvolver a Fusão Nuclear como fonte de energia. O objetivo do centro do qual sou diretor, o Plasma Science and Fusion Center, aqui no MIT, tal como outros institutos que existem a nível mundial, é contribuir para tornar a energia de Fusão Nuclear uma realidade. Isto é uma coisa que se investiga já há muito tempo. Os primeiros esforços neste sentido surgiram nos anos 1950 e é um problema difícil que exige um investimento significativo. Apesar dos progressos serem muito significativos, às vezes o financiamento nem sempre foi tão estável quanto nós gostaríamos e isso implicou alguns atrasos no desenvolvimento desta ciência. É uma área que exige avanços que vão desde Física Teórica, que é a parte onde eu entro, até coisas muito aplicadas como engenharia de materiais, engenharia magnética, uma série de áreas que têm que ver com a produção e gestão de certos metais especiais, de certos elementos químicos especiais. Portanto é uma coisa que cobre múltiplas áreas da ciência e da engenharia. No meu centro nós temos valências em várias dessas áreas e o nosso objetivo é contribuir de uma forma determinante para acelerar o processo da realização da Fusão Nuclear. Temos uma tradição nessa área e estamos muito envolvidos com experiências que estão a ser construídas neste momento que nós achamos que vão ser provavelmente determinantes na aceleração da capacidade de conseguir produzir energia elétrica através deste processo chamado Fusão Nuclear.

Em 2019, deu uma entrevista onde falou sobre a Fusão Nuclear. Cinco anos depois, ainda continuamos muito longe da energia ilimitada?

Acho que há várias coisas que é importante quantificar. A investigação em Fusão Nuclear são experiências científicas. Nós ainda estamos a tentar demonstrar que é possível obter mais energia do que aquela que é necessário consumir para chegar às condições de fazer Fusão Nuclear. Para que isso aconteça, nós precisamos de pegar num gás, vamos imaginar para o efeito que é hidrogénio, e aquecer esse gás de hidrogénio a temperaturas muito elevadas. Esse gás de hidrogénio tem de ser aquecido até temperaturas na ordem dos cem milhões de graus centígrados. Toda a gente percebe que se estiver na cozinha a ferver água para cozer massa, está a consumir energia para aquecer a água. De forma igual, nós nas experiências de Fusão Nuclear consumimos energia para aquecer esse gás de hidrogénio até estas temperaturas. Quando conseguimos chegar a essas temperaturas, inicia-se o processo de Fusão Nuclear. Cada processo consiste nos núcleos de hidrogénio a chocarem uns com os outros e a formarem hélio, o que liberta energia. O nosso objetivo é conseguir ter um número suficiente de reações de Fusão Nuclear tais que a energia que libertam seja superior à energia que nós tivemos de despender para aquecer o gás. Neste momento, a fase em que nós estamos é demonstrar que conseguimos extrair mais energia de uma maneira significativa – não apenas uma vez, mas dez vezes – do que a energia que nós despendemos para atingir as condições necessárias para fazer a Fusão Nuclear.

Esse objetivo já foi atingido?

Já houve demonstrações de que é possível fazer isso, mas ainda não existe uma demonstração de uma forma que uma pessoa possa dizer ‘esta demonstração prova que não só eu consigo extrair mais energia do a que estou a despender, mas que consigo fazê-lo de uma forma económica e de uma maneira que permita de facto construir várias destas centrais de Fusão Nuclear espalhadas pelo mundo fora’. Não basta demonstrar que é possível fazer, mas sim que é possível fazê-lo de uma maneira que permite de facto gerar eletricidade. Neste momento no MIT somos parceiros principais de uma start-up de Fusão Nuclear que foi formada por antigas pessoas aqui do nosso centro e que se chama CFS — Comonwealth Fusion Sistems. Eles estão a construir uma experiência que estará ativa em 2026. Essa experiência é que vai demonstrar que é possível obter mais energia de uma maneira controlada e sustentável do que a energia que é necessário despender. Contudo, isto continua apenas a ser uma experiência. Existe um passo seguinte, em que, se isto funcionar, vem a construção de um reator de demonstração, que é um reator que vai de facto demonstrar que se pode ligar à rede e produzir energia elétrica. Nós fazemos Fusão Nuclear, mas essa energia não sai em forma de eletricidade, ela sai na forma de calor. Depois é preciso, como numa central de carvão, ligar a central a umas turbinas para produzir eletricidade. A partir do momento em que sabemos que conseguimos extrair mais energia do que aquela que temos de despender, então aí podemos construir uma central de demonstração. Dito isto, se eu acho que estamos mais perto? Estamos. Até porque a ciência e a engenharia têm evoluído e têm-se resolvido problemas técnicos fundamentais. Por exemplo, um que nós resolvemos no meu centro foi demonstrar que é possível construir um tipo de bobinas magnéticas com propriedades muito especiais, mas que são absolutamente essenciais para viabilizar este novo reator que esta empresa está a construir. Foi um grande passo na direção certa e temos tomado vários passos nesse sentido, mas acho que não se deve prometer demais. É preciso perceber que isto continua a ser uma experiência científica e que como todas as experiências científicas, é feita porque não temos a certeza do que vai acontecer.

Estando o Nuno ligado a uma tentativa de produzir energia ilimitada, enquanto tal não é possível, Portugal deve apostar mais em energias alternativas?

Penso que Portugal, e todos os países neste momento deviam estar a olhar muito seriamente para questões energéticas. Não apenas do ponto de vista das preocupações climatéricas, como também do ponto de vista da segurança energética. A autossuficiência energética da Europa é um problema cuja importância está abundantemente ilustrada ao longo dos últimos dois anos em que temos um conflito às portas da Europa que ameaça seriamente a nossa estabilidade e segurança energética. Portugal, como país da União Europeia, deve olhar para si mesmo e promover conversas dentro da União Europeia no sentido de fazer implementar uma revolução energética que seja tanto favorável do ponto de vista das alterações climatéricas como favorável do ponto de vista da segurança e autossuficiência energética.

Falando agora de Portugal e deixando o MIT de parte, com que frequência costuma regressar?

Eu vou a Portugal sempre que posso. Adoro Portugal, adoro ir aí, tenho família no país e amigos e gosto muito de os rever. Infelizmente, sempre que posso não é tanto quanto gostaria, mas pelo menos uma vez por ano passo uma temporada em Portugal.

E em relação a Viseu?

Sempre que estou em Portugal vou a Viseu. Gosto muito de regressar a Viseu, gosto muito da Beira Alta, da gastronomia da Beira Alta.

Tenciona voltar ou já estabeleceu a sua vida em Boston?

Não tenciono nem deixo de tencionar. Acho que nunca sabemos se há portas, portanto acho que uma pessoa deve manter-se atenta a oportunidades que possam surgir e estar aberta às mesmas. Não quer dizer que vão surgir ou que eu esteja necessariamente à procura delas, mas não excluo do meu futuro um possível regresso.

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