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Alunos simulam julgamento para alertar para o cyberbullying

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 Vive-se bem em Viseu Dão Lafões, diz mais de 84 por cento da população
14.02.22
fotografia: Jornal do Centro
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14.02.22
Fotografia: Jornal do Centro
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 Alunos simulam julgamento para alertar para o cyberbullying

Réu, juiz, procuradores, advogados e autoridades de segurança, ninguém faltou ao julgamento de um caso de cyberbullying, que decorreu esta segunda-feira (14 de janeiro) no Juízo de Competência Genérica de Oliveira de Frades. Tudo foi inventado e qualquer semelhança com a realidade foi pura coincidência. Mas, a verdade é que tudo o que a turma do 8º ano da escola de Oliveira de Frades teve a oportunidade de vivenciar não passa de uma experiência bem real.

O arguido, um rapaz de 16 anos, enviou um pedido de amizade nas redes sociais a uma rapariga de 13 anos, a quem acabou por pedir fotografias intimas. A prática intensifica-se e o jovem começa a chantagear a vítima dizendo que vai partilhar na Internet as fotos e vídeos que tem, caso esta não envie mais conteúdo. Mas o rapaz não só ameaça como acaba mesmo por mostrar as fotos e vídeos a amigos e colegas.

Ouvido o arguido, as testemunhas e os advogados a sentença foi clara: 18 meses num Centro Educativo.

Afonso Serrano, de 13 anos, foi o advogado acusação, quando lhe perguntamos o que aprendeu nesta iniciativa é rápido e sem papas na língua: “aprendi que não se pode ser um idiota e que o que aconteceu é um ataque à nossa privacidade e temos que lutar por isso e pela nossa liberdade”.

Inês Tavares, Francisca Teixeira e Adriana Silva, de 13 anos, foram as juízas auxiliares e quase em coro contam que esta foi uma ação “muito importante”.
“Acho muito importante. Todos devemos estar alerta. Nunca tinha estado num tribunal e estar aqui ajuda e faz-nos pensar de outra maneira”, conta Inês Tavares.

Para Francisca Teixeira, esta foi uma “experiência inesquecível” e que lhes mostra que todas as ações têm consequências. “Acho importante para estarmos alerta do que pode acontecer e não cedermos a chantagens e podermos ter conhecimento das consequências. Não tinha noção que era assim, nunca tinha visto um tribunal, foi uma experiência inesquecível”, disse.

Já Adriana Silva, destacou que este é um tema de “máxima importância”, até porque ainda se vêm “muitos casos e muita gente tem medo e vergonha de contar”.
Para Clara Martinho, professora de Português e representante da Educação na Comissões de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Oliveira de Frades, esta iniciativa mais do que julgar teve como objetivo “educar e prevenir”.

“Desta forma cumprimos vários objetivos: ensinar a cidadania responsável, como funciona o direito e aproximá-los da sociedade civil e tribunais. A temática por demais importante na atualidade e quisemos atuar na prevenção, fazer um alerta para que não cometam os mesmos erros, seja o acusado por não saber que incorria num crime, seja a ofendida que ingenuamente se deixou levar”, explicou.

Carla Carvalho, da CPCJ, explicou que apesar de este ser um tema problemático, não a têm sinalizado com frequência. “Cada vez mais é um problema, mas não é uma realidade da nossa Comissão, felizmente”.

Para a responsável, isso poderá querer dizer que “a escola está a fazer o seu papel e vai conseguindo evitar ou porque ainda há vergonha. Penso que a escola e os professores estão focados e começa neles a prevenção, assim como nos pais”, explicou.

Carla Carvalho explicou ainda que outro dos objetivos foi mostrar aos mais novos que a CPCJ não é “um bicho papão”.

“Serviu também para eles também terem noção de como nós trabalhamos, a realidade, conhecerem-nos e estarem perto de nós, para que percebam que a Comissão não é um bicho papão, trabalhamos para garantir os direitos deles”, finalizou.

Quando ao facto de a iniciativa se ter realizado no dia em que se assinala o Dia dos Namorados, foi “uma feliz coincidência”, já que era para se ter realizado em dezembro passado, mas acabou adiada.

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