No coração verde do concelho de Viseu, Côta é uma aldeia onde…
Nasceu, em Cinfães, a Quinta da Maria, um projeto turístico com alma…
No coração do Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros, há…
por
Joaquim Alexandre Rodrigues
1. Depois de uma campanha difícil e longa — em que teve contra si o comentariado, os cheganos, os lobistas, os justicialistas, os liberais, as esquerdas radicais e os “desinfluencers” do costismo —, António José Seguro obteve a maior votação de sempre em Portugal (3.505.846 votos). Na semana em que tomou posse deixo aqui os seguintes conselhos ao novo Presidente da República:
— fale pouco e seja paciente;
— não ligue à conversa do comentariado;
— una o deslaçado, aproxime o diferente, seja duro quando necessário;
— despreze as guerras culturais estéreis dos fachos e dos wokes, que só servem para nos tirar chão comum;
— evite o “promulgo, mas…”, os vetos por tudo e por nada e, ainda mais, o amém a tudo;
— não faça como todos os seus antecessores que, nos primeiros mandatos, preocupados com a sua reeleição, foram uma espécie de sacristãos dos primeiros-ministros de turno.
2. Continuam excelentes as conferências do “BEIRA – Observatório de Ideias Contemporâneas Azeredo Perdigão”, organizadas em Viseu, uma em cada estação do ano.
A do Inverno de 2026 aconteceu no sábado. Nela, o filósofo francês Pierre-Henri Tavoillot fez uma comunicação intitulada “A política entre poder e impotência: superar a desilusão democrática” onde entrou logo a matar. Disse ele: “a democracia é um regime ‘decepcionante’, absurdo e incompreensível. É preciso partir daí, em vez de — como acontece demasiadas vezes — terminar aí.” A democracia decepciona porque a promessa absoluta de liberté, égalité e fraternité é inalcançável, porque é absurdo o povo ser ao mesmo tempo sujeito e objecto de governo e é incompreensível porque não se sabe bem o que é o povo e o que é governar.
Tavoillot enunciou três sentidos para povo: o povo-sociedade (o conjunto de indivíduos que querem viver juntos), o povo-Estado (querem viver juntos de uma forma organizada e duradoura) e o povo-opinião (“os indivíduos que, vivendo juntos e querendo viver juntos, debatem entre si a maneira de o fazer”).
Ora, “estas três figuras do povo” são “potencialmente concorrentes” e, como “cada uma aspira secretamente a devorar as outras duas”, temos as “três doenças crónicas das democracias liberais”:
— a “hipertrofia da sociedade” que leva à “tentação anárquica de tudo privatizar”;
— a “hipertrofia do Estado” que engendra o “sonho (ou pesadelo) tecnocrático ou autocrático”;
— a “hipertofria da opinião” que leva à “mediacracia e ao regime abominável da transparência absoluta”.
Como sarar estes “males do presente”? Pierre-Henri Tavoillot propõe pensarmos a democracia menos como uma substância e mais como um método assente em quatro momentos primordiais: eleições, deliberação pública, decisão e prestação de contas.
No mundo atual, o equilíbrio desses quatro momentos — “se um faltar ou se um deles ficar enfraquecido, a democracia vacila e o povo desaparece” — está a ser ameaçado pela democracia radical (que “já não quer Estado, mas apenas liberdade”), pela democracia iliberal (que “já não quer liberdade, mas apenas prosperidade e eficácia”) e a nomocracia (que “já não quer política nem sociedade, mas apenas legalidade” e tecnocracia).
No fundo, a democracia é a civilização das pessoas adultas: aquelas que cresceram e assumem “a tarefa de fazer crescer os outros” porque “não há verdadeiramente outra maneira de crescer senão fazendo crescer os outros: as crianças, as empresas, as associações, o país.”
A democracia é um regime que permite e exige que todos cresçam, que todos sejam capazes de assumir as suas responsabilidades.
por
Joaquim Alexandre Rodrigues
por
Joaquim Alexandre Rodrigues
por
João Silva Fernandes, Coordenador de Gastrenterologia no Hospital CUF Viseu e no Hospital CUF Coimbra
por
Jorge Sousa Mota