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A Associação Cívica Cultural José Junqueiro nasceu para honrar a memória e legado do homem e político viseense, com foco na juventude e relação intergeracional, com sentido crítico, livre e apartidária, disse hoje a direção.
A associação teve como ponto de partida José Junqueiro (1953-2025) ter “sido toda a vida um servidor público, um homem de causas, de valores, profundamente político que acreditava no poder das ideias” e esta é uma forma de “homenagear e honrar o seu legado”, sustentou o presidente da direção e filho mais velho de José Junqueiro, Raul Junqueiro.
“Muito para além dos artigos de jornal e das intervenções que fez, uma das maiores heranças que nos deixa – e a mim em particular enquanto filho – ficam as pessoas que ajudou a formar, a crescer. O serviço aos outros começa o respeito pelos que estão mais próximos e naqueles que aprenderam com o seu exemplo”, defendeu Raul Junqueiro.
Para dar continuidade aos seus “valores e ensinamentos”, a associação irá organizar, “para já, com a periodicidade trimestral, mas também interagindo com a agenda cultural do concelho, diversas atividades, desde colóquios, conferências, tertúlias, publicações, ensaios políticos, com foco nos jovens, mas sem nunca faltar a componente intergeracional”.
“Sempre aprendi isto com o meu pai, e é também esse o meu pensamento enquanto cidadão, é que o foco está nos mais jovens, mas temos de perceber que a importância dos ensinamentos intergeracionais é fundamental em todos os campos da sociedade. Temos muito a aprender com as gerações que nos precederam”, defendeu Raul Junqueiro.
A primeira conferência está agendada para o próximo dia 27, no auditório da Universidade Católica de Viseu, e começa com uma mesa-redonda sobre o pensamento cívico e político com academistas e políticos que privaram com José Junqueiro
À tarde, será apresentado um livro de memórias e testemunhos, com prefácios do secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, do Presidente da República, António José Seguro, e do presidente da Câmara de Viseu, João Azevedo.
Os testemunhos “das mulheres e homens” presentes no livro são da esfera académica, cívica, cultural e de vários quadrantes políticos, mas privaram com José Junqueiro, porque “unia-os a amizade e o respeito, até porque essa sempre foi a sua forma de estar na política e que hoje escasseia muito, que é fazer a política pelos princípios e valores”.
“As iniciativas vão, sem dúvida, preservar, em última instância – porque é um propósito que temos – a diversificação e programação cultural do concelho, consolidando a projeção de Viseu como um território de referência na reflexão cívica e cultural. Queremos, a partir do interior, catalisar e promover este espaço crítico”, realçou.
A interioridade e a coesão territorial, lembrou Raul Junqueiro, “eram sempre defendidos, na Assembleia da República e em todos os espaços” em que ele marcava presença, “porque acreditava que não havia portugueses de primeira e de segunda”.
“E essa coesão tem muito a ver com a identidade partilhada”, advogou Raul Junqueiro que, à imagem do seu pai, considerou que “isso só se faz através do poder da cultura e da literatura”, porque numa altura em que “se vive no instantâneo, a literatura obriga à reflexão, ao tempo”.
Para Raul Junqueiro a “cultura não é um luxo” ao que o pai rebatia considerando “que é uma infraestrutura democrática e essencial” e “também por isso, nasce a associação”, com foco nos jovens, “hoje produtores de conteúdos imediatos em que também eles são conteúdos”.
“Os jovens têm grandes desafios e se queremos que desenvolvam um sentido crítico, temos de chegar até eles, porque estão muito propensos a ter um papel mais ativo”, indicou Raul Junqueiro que adiantou que, entre as atividades da associação estarão idas às escolas básicas e secundárias para falar sobre temas que lhes interessam.