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Dois mil e vinte e dois promete ser um “ano mau” para a produção de azeite no distrito de Viseu. A apanha da azeitona em algumas zonas já arrancou, mas os olivicultores não esperam grande produção. Estimam perdas entre os 50 e os 70%.
“Este ano está fraco, se houver 30% de produção é muito. A azeitona está gafada (doente). Ela agora está a começar a amadurecer e começa cair toda porque está gafada”, afirma Delfim Vaz.
Com menos azeite, o produtor de Viseu acredita que o preço vá subir. Vende cada garrafão a 30 euros, devendo o mesmo aumentar no mínimo dez euros.
O Jornal do Centro ouviu também João Pedro Vaz da Cooperativa de Olivicultores de Nelas, que caracteriza 2022 como um “ano mau” para o azeite.
“Vamos ter menos produção, as oliveiras estão com pouca azeitona e penso que a produção vai ser metade do ano passado”, assume, salientando que “de há quatro anos para cá este é o pior”.
“Choveu pouco, os terrenos estão secos e a azeitona ressentiu-se. Esta chuva de agora até se calhar vai fazer mal porque a azeitona fica inchada. A produção é menor, tem mais água e pouca gordura. Vamos ver como é que corre”, afirma o dirigente, que estima a abertura da linha de frio do lagar de azeite da cooperativa já no próximo sábado.
A apanha da azeitona já arrancou. Muitas pessoas já começaram a campanha por a azeitona estar a “estragar-se muito”. Há olivicultores, todavia, que vão deixar o fruto nas árvores.
“Já tenho ouvido gente que habitualmente tem sempre muito azeite a dizer que não vai apanhar uma azeitona. Ou não têm, ou a que têm é tão pouca que não dá para o trabalho. Deixam as azeitonas nas árvores porque não dá para o trabalho. A despesa é muita”, adianta.
Em Penedono a apanha da azeitona só deve começar lá para o dia 15 de novembro. Nas terras do Magriço também se espera uma quebra de produção que pode chegar aos 40%.
“Esperamos um ano mais fraco do que em 2021. Há uma quebra muito grande em quantidade e a qualidade também não será a melhor. Vamos ter uma quebra entre 30 e 40%”, revela Manuel Abílio da Cooperativa dos Olivicultores de Vale do Torto.
“A qualidade é pior porque este ano tivemos muito calor e a azeitona está muito picada pela mosca e isso faz com que haja menos qualidade”, acrescenta.
Manuel Abílio não se recorda de um ano tão quente e diz que o que valeu aos olivicultores foram as últimas chuvas que vieram dar uma ajuda ao setor.