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A apanha da cereja vai exigir mais cuidados por causa da pandemia da Covid-19. Por estes dias de abril e maio, a época de colheita costuma arrancar em zonas como as de Resende e Lamego. Em ano de pandemia, há um aumento da produção.
Há produtores que preveem um aumento da despesa com a segurança exigida por causa do novo coronavírus. Armindo Barbosa, presidente da Associação de Produtores da Cereja de Resende, não sabe ainda quantos testes os produtores vão ter de garantir a quem vai apanhar a cereja para que o trabalho seja realizado com toda a segurança naquela zona.
“Quando o produtor mete pessoas a trabalhar tem de ter máscaras, desinfeção e todo o cuidado. Isto vai provocar muita despesa. Vamos ter uma reunião na quinta-feira porque vai haver testes para todo o pessoal. Temos produtores que trazem cinco, seis, sete, oito ou dez pessoas de outros concelhos e essas pessoas vão ter de ser testadas”, afirma.
Armindo Barbosa diz ainda não saber se os testes previstos vão ser feitos semanalmente ou diariamente. Além dos gastos, o produtor teme uma quebra nas receitas da cereja este ano com as limitações que ainda vêm com a pandemia.
“Estava à espera que o mês de maio começasse a abrir, mas pode ser que os casos comecem a subir num ou noutro concelho e as frutarias, os restaurantes, o grande comércio e os hotéis ficam fechados. Parece que não, mas a cereja leva uma quebra”, teme.
Mas, apesar dos contratempos que a pandemia pode trazer, a produção deve aumentar entre os 70 e os 80 por cento nalgumas zonas. O presidente da Associação de Produtores da Cereja de Resende mantém-se otimista e acredita que 2021 pode vir a ser um ano melhor do que 2020 nas colheitas, mas não sem algumas reservas.
“No entanto, isso não quer dizer que corra tudo bem no final, porque pode ocorrer quedas de saraiva ou chuva que podem estragar tudo. A produção é razoável, mas um aumento de 70 por cento já é muito bom porque a cereja fica com melhor qualidade”, conclui Armindo Barbosa.
Já em Lamego, também vai aumentar a produção de cereja da Penajóia em comparação com o ano passado. Ricardo Simões, presidente da Amijoia – Associação dos Amigos e Produtores de Cereja da Penajóia, espera que o bom tempo ajude na altura de vender este fruto típico.
“Já estamos a colher cereja há duas semanas. A campanha está a correr bem. Neste (último) fim de semana, houve um bocadinho de chuva que veio estragar as cerejas que estavam maduras, mas tudo corre na normalidade”, acrescenta.
Ricardo Simões reconhece que 2020 foi um “ano muito mau na produção”, mas frisa que o fruto está cada vez melhor este ano. “As árvores estão mais carregadas e há um aumento da produção. Agora, precisamos que o tempo nos ajude para apanhar e vender”, diz.
O produtor de Penajóia realça que, com o surgimento da pandemia, o setor teve de se adaptar com medidas como a separação das pessoas que fazem a colheita “por várias árvores”. “Em vez de andarem todas juntas a apanhar, há um distanciamento social da parte de quem trabalha e as pessoas têm este cuidado”, afirma.
Ricardo Simões confia que este será um bom ano também na comercialização da cereja, uma vez que os restaurantes e comércio começam a reabrir. “O comércio está a correr dentro do normal. Os minimercados e as grandes superfícies estão a trabalhar e não houve quebra. Com a abertura dos restaurantes, prevê-se um maior escoamento da cereja porque há sempre restaurantes a gastar na mesma cereja”, conclui.