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Covid-19: Portugal pode estar com mais de 2.000 casos diários

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 Vive-se bem em Viseu Dão Lafões, diz mais de 84 por cento da população
04.11.22
fotografia: Jornal do Centro
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 Vive-se bem em Viseu Dão Lafões, diz mais de 84 por cento da população
04.11.22
Fotografia: Jornal do Centro
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 Covid-19: Portugal pode estar com mais de 2.000 casos diários

Os últimos dados oficiais indicam que Portugal regista uma média de 735 infeções diárias pelo coronavírus SARS-CoV-2, mas o epidemiologista Manuel Carmo Gomes alerta que o número real de casos pode ser cerca de três vezes superior.

“No que respeita ao número de novos casos, devemos estar acima de 2.000 por dia, no mínimo”, disse à agência Lusa o professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

O último relatório do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), divulgado na quinta-feira (dia 3), estima que o número médio de casos a cinco dias está nas 735 infeções diárias a nível nacional, baixando para as 619 no continente.

Para Manuel Carmo Gomes, desde que a linha SNS 24 deixou de prescrever testes de despiste da Covid-19, na sequência do fim da situação de alerta em Portugal em 1 de outubro, os dados de incidência no país “estão longe de representar a realidade”.

“Presentemente apenas conhecemos resultados de testes realizados em meio hospitalar e de pessoas que se deram ao trabalho de obter receita médica para se testar”, alertou o especialista, para quem essa redução dos despistes das infeções está a comprometer a monitorização atempada da pandemia em Portugal.

Perante as alterações na testagem, o “guia” sobre a situação da Covid-19 no país passou a ser os números de hospitalizados e de mortes, indicadores que “chegam a ter semanas de atraso em relação ao número de casos”, explicou o epidemiologista.

Além disso, o desconhecimento de “quantos casos ocorrem de uma doença diminui a perceção do risco” entre a população, sublinhou ainda Carmo Gomes.

“Uma doença infecciosa que se propaga silenciosamente tira partido da ausência de medidas que poderiam retardar o seu avanço e, quando finalmente nos apercebemos que a carga de doença na população é já elevada, torna-se mais difícil reverter a sua propagação”, salientou ainda o professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

O epidemiologista admite que o número de infeções possa estar ainda a subir em Portugal, tendo em conta que se verifica uma “leve tendência crescente” de pessoas hospitalizadas devido à Covid-19.

“Durante setembro e parte de outubro tivemos menos de 400 camas ocupadas em enfermaria Covid-19. Agora estamos com quase 500 camas”, alertou Manuel Carmo Gomes, ao adiantar que as mortes se mantiveram “muito tempo em cinco e seis por dia, mas nos últimos dias a média subiu para 7,6 óbitos”.

“Esperemos que esta tendência não se confirme, mas temos de aguardar mais uns dias para saber”, disse.

Um dos fatores de incerteza sobre a evolução da Covid-19 tem a ver com o facto de, nos últimos meses, a variante Ómicron se ter desdobrado em numerosas subvariantes, que “têm em comum possuir mutações que lhes permitem fugir aos nossos anticorpos”, disse o especialista.

“Para já não existe evidência (prova) de que sejam mais patogénicas do que as primeiras Ómicron (BA.1, BA.2 e BA.5), mas ainda sabemos muito pouco sobre o seu significado clínico”, salientou Carmo Gomes.

O especialista adiantou que as próximas semanas serão decisivas para perceber se a circulação destas novas subvariantes, combinadas com a chegada do tempo frio a Portugal, vai contribuir para uma eventual subida dos casos e de hospitalizações.

França foi o primeiro país europeu onde a “BQ.1 ultrapassou a fasquia dos 50% entre os casos e, para já, não existe evidência de maior patogenicidade”, sublinhou o epidemiologista.

“Sem dúvida que todos os que se preocupam com a dinâmica da Covid e a saúde pública, gostariam de voltar a ter notificações que sejam mais representativas do verdadeiro número de casos”, afirmou Manuel Carmo Gomes.

Com a decisão do Governo de não renovar a situação de alerta, cessou a vigência de diversas leis, decretos-leis e resoluções aprovadas no âmbito da pandemia, alterações que influenciaram a “vigilância de base populacional e consequente interpretação dos indicadores” da Covid-19, reconheceram recentemente a Direção-Geral da Saúde e o INSA.

Na prática, além do isolamento deixar de ser obrigatório, os testes à Covid-19 deixaram de ser prescritos através do SNS24 e passaram a ser comparticipados mediante prescrição médica, à semelhança de outras análises e meios complementares de diagnóstico.

Ontem, o ministro da Saúde, Manuel Pizarro, anunciou que vai decorrer no próximo dia 11 uma reunião de peritos para fazer um ponto de situação da Covid-19 em Portugal.

Portugal com 5.920 casos e 53 mortes
Entretanto, Portugal registou, entre 25 e 31 de outubro, 5.920 infeções pelo coronavírus SARS-CoV-2, 53 mortes associadas à covid-19 e um novo aumento dos internamentos, indicou hoje a Direção-Geral da Saúde (DGS).

Segundo o mais recente boletim epidemiológico semanal, em relação à semana anterior, registaram-se menos 1.736 casos de infeção, verificando-se ainda mais seis mortes na comparação entre os dois períodos.

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