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Crónica muito especulativa sobre a ultradireita portuguesa e europeia

 É só bola!
21.02.26
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 Crónica muito especulativa sobre a ultradireita portuguesa e europeia

por
Joaquim Alexandre Rodrigues

1. Como se sabe, António Costa ajudou o Chega a crescer. O seu primeiro gesto nesse sentido de que dei conta foi em Gaia, no dia 16 de Fevereiro de 2019, fez esta semana sete anos. O então primeiro-ministro chegou-se à frente dos microfones e, completamente a despropósito, nomeou o Chega, um partido microscópico que, naquela altura, estava completamente fora dos radares tanto dos media como das sondagens. Costa imaginou que havia ali potencial para enfraquecer o PSD. Meses depois, nas legislativas de 6 de Outubro, André Ventura foi mesmo eleito.A seguir, a esquerda identitária, os jornalistas e os opinadores passaram a salivar, como cãezinhos de Pavlov, com todo e qualquer dislate protagonizado pelo novo deputado. Este agradeceu. Aquele coro a chamá-lo “fachista” ajudou-o muito a exponenciar o engajamento nas redes sociais e as audiências nos media. Ventura passou a ter um lugar residente nas televisões e, com o seu inegável talento político, protagonizou o crescimento mais rápido de sempre de um partido de direita radical na Europa:
Legislativas de 2019 — 1,29% — 1 deputado;
Presidenciais de 2021 — 11,90%;
Legislativas de 2022 — 7,18% — 12 deputados;
Legislativas de 2024 — 18,07% — 50 deputados;
Legislativas de 2025 — 22,76% — 60 deputados;
Presidenciais de 2026, 1ª volta — 23,52%;
Presidenciais de 2026, 2ª volta — 33,17%.
Em sete anos é obra. 

2. Entremos agora em especulação pura e dura. 
À medida que a ultra-direita cresce, vai-se partindo. 

No Reino Unido, o Reform UK, de Nigel Farage, chegou à frente na sondagens, mas está às voltas com uma defecção de um seu ex-deputado, Rupert Lowe, que acaba de fundar o Restore Britain, um partido ainda mais à direita, muito mais pró-deportação e remigração. Farage queria moderar o discurso mas agora, se for por aí, arrisca-se a perder eleitorado para Lowe.
Em Itália, a mesma cena: Roberto Vannacci saiu da Lega e acaba de fundar o Futuro Nazionale para morder as canelas e o eleitorado de Matteo Salvini. 
Nos Países Baixos, no mês passado, sete dos 26 deputados do Partido pela Liberdade, abandonaram o partido zangados com o líder Geert Wilders, o que está a dar gás aos outros dois partidos de ultradireita: o JA21 e o FvD.

Em França, Marine Le Pen (Reagrupamento Nacional) não quer conversa com Éric Zemmour (Reconquête) que, por sua vez, foi abandonado por Marion Maréchal (sobrinha de Marine e protegida de Steve Bannon) que fundou, em Outubro de 2024, um novo partido “meloniano”, o Identité-Libertés. 
Esta turbulência nas ultradireitas também há-de cá chegar. Por enquanto, ainda não se vê ninguém dentro do Chega capaz de desafiar Ventura. Pelo que resta a Luís Montenegro, se quiser imitar o aprendiz de feiticeiro António Costa de 2019, tentar puxar pelo ADN de Joana Amaral Dias e pela Nova Direita de Ossanda Líber. 

 É só bola!

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