No coração verde do concelho de Viseu, Côta é uma aldeia onde…
Nasceu, em Cinfães, a Quinta da Maria, um projeto turístico com alma…
No coração do Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros, há…
Mariana Almeida Marques tem 22 anos e há cinco que vive fora de Portugal. Natural de Viseu, mudou-se para Londres, a capital do Reino Unido, quando tinha apenas 17 anos, após concluir o ensino secundário.
“Concorri a várias universidades no Reino Unido. Na altura, a decisão foi baseada na qualidade das universidades, bem como nas oportunidades que teria quando acabasse o curso”, explica.
Mariana licenciou-se em jornalismo na City University of London. Acredita que ter tirado um curso superior nesta área em Londres, uma das maiores capitais da Europa e do Mundo, “é muito diferente” do que se o tivesse feito no nosso país.
“As oportunidades são diferentes, o talento é diferente, e eu queria esse desafio. Nada como estar entre os melhores dos melhores. O objetivo sempre foi continuar a minha carreira no Reino Unido, sobretudo pelas oportunidades de trabalho, mas também porque é um país mais desenvolvido a vários níveis”, conta.
Atualmente, trabalha na área do marketing de conteúdos para uma empresa de tecnologia e presta serviços, como freelancer, ao nível de escrita e edição.
“Felizmente tenho muito trabalho, mas estou sempre disponível para colaborar com empresas que considere interessantes”, salienta a jovem, que nunca trabalhou em Portugal.
Em Inglaterra já esteve empregada em vários locais. Quando estudava fez part-times em restaurantes, distribuiu panfletos e amostras e fez campanhas e eventos para várias empresas. Também trabalhou como jornalista freelance para alguns jornais britânicos.
“Não tenho medo de trabalhar no que quer que seja, acho que isso é uma característica comum dos emigrantes. Pouco depois de acabar o meu curso, comecei a trabalhar na minha área a tempo inteiro”, refere.
Mariana não se arrepende da escolha que fez há cinco anos. Gosta de viver em Londres, “uma das maiores cidades da Europa e também uma das mais diversificadas a nível de cultura”. Aprecia o movimento da cidade, o facto de ter muitos residentes, mas também o entretenimento e as atividades existentes.
“Londres é isso e muito mais, tudo acontece aqui. Só tinha uma vaga noção da cidade antes de emigrar, mas passados quase cinco anos, vejo que tomei a decisão certa. É um centro grande de inovação e há bastantes apoios nessa área. Também é uma cidade com talento de todos os cantos do mundo e, por isso, bastante competitiva, mas é boa para quem gosta de desafios e não tem medo”, vinca.
Quando aterrou em terras de sua majestade teve logo uma impressão “muito positiva” do país que agora também é seu. A sua opinião só mudou para melhor. Elogia o multiculturalismo de Londres, que ajuda na integração de quem chega.
Já a considera a capital britânica a sua cidade porque foi lá que construiu a sua vida pessoal e profissional.
Pela positiva destaca ainda as oportunidades existentes e os salários altos, “que são muito diferentes” do que se pratica em Portugal.
“Seria muito difícil para mim sair daqui agora”, confessa, sem esconder que Londres também tem os aspetos negativos, como acontece com todas as grandes cidades.
“O perigo é maior, há muito mais crime e não se pode confiar em ninguém. Morar em Londres requer uma certa frieza que agora penso que tenho e antes não tinha. Relativamente ao Reino Unido, as pessoas são muito simpáticas e prestáveis. Há sempre maçãs podres em todas as árvores, mas, no geral, não tenho razões de queixa”, argumenta.
Também não gosta do Governo de direita que está à frente dos destinos do país e que, defende, “tem causado grandes disparidades sociais e insegurança”.
“Felizmente, Londres tem um bom presidente [de Câmara]”, acrescenta.
Voltar a Portugal, país que visita duas vezes por ano, não é opção para si porque ia “ganhar menos e pagar mais impostos”.
Nem mesmo as saudades que sente da família, dos amigos, do sol e da comida lusitana a fazem mudar de ideias.
“As oportunidades em Portugal não correspondem aos meus planos profissionais. Para além disso, estou habituada ao estilo de vida do Reino Unido e teria bastantes dificuldades em integrar-me novamente em Portugal”, afirma.
A pandemia também mudou a sua vida. Teve o salário cortado. Quase perdeu o trabalho. Nem a forma como o Governo britânico geriu a pandemia a fez querer voltar.
“Passados dois anos de pandemia, acho que já toda a gente está cansada. No Reino Unido não há muitas regras, é difícil impor regras aos britânicos, por isso já não sinto que esteja numa pandemia e as preocupações estão bastante reduzidas. Agora é o retorno à vida “normal””, conclui.