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Na sua experiência, enquanto médica de família, o que motiva os homens a não ir ao médico com a mesma frequência que as mulheres?
São vários os fatores que explicam porque é que os homens não procuram o médico com regularidade e deixam arrastar os sintomas, procurando aconselhamento clínico apenas numa fase mais tardia da sua vida. Isto tem a ver fundamentalmente com dois fatores: primeiro, o medo de descobrir uma doença, que poderá fragilizá-los perante a comunidade e a família, porque hoje em dia – ainda que menos – é visto como motor da família e da comunidade; e o segundo fator pode relacionar-se com o facto de serem muito otimistas e ignorarem os problemas de saúde – não valorizam certos sinais e sintomas que deveriam, deixando a situação evoluir – e apenas vão ao médico numa fase tardia. Isto vai provocar um aumento de mortes na população masculina – vários estudos indicam que os homens morrem mais cedo do que as mulheres – vai aumentar o número de hospitalizações e quando o diagnóstico é realizado, a doença está numa fase mais avançada, o que poderá dificultar o tratamento. É, por isso, fundamental sensibilizar os homens para vigiar regularmente a sua saúde.
Quais são as principais doenças que afetam os homens e quais os sinais que devem motivar a procura de um médico sem demora?
Primeiro tem de ser feita uma abordagem geral, avaliar os antecedentes pessoais, familiares, realizar o exame físico ou outros exames de diagnóstico consoante os sinais e sintomas apresentados.
Contudo, existem patologias transversais aos homens, nomeadamente, doenças da próstata em que os doentes têm que estar atentos a sintomas como: levantar-se muitas vezes de noite para ir à casa de banho, vontade de urinar com frequência, gotejo e hesitação miccional ou perda involuntária de urina.
As patologias intestinais são também muito frequentes e é muito importante detetar numa fase precoce. Existe um rastreio que todas as pessoas devem fazer a partir dos 50 anos para deteção do cancro colorretal. A colonoscopia e sangue oculto nas fezes são exames essenciais para a prevenção e diagnóstico precoce destas doenças e para acompanhamento da saúde digestiva. Os homens devem estar atentos a sintomas como sangramento intestinal ou alterações do trânsito intestinal e não adiar a procura do médico.
O cancro do pulmão é também uma doença muito prevalente e detetada geralmente em fases tardias, pelo que se aconselha à população de risco – fumadores e ex-fumadores entre os 50 e 75 anos – a integrar um Programa de Deteção Precoce.
Por outro lado, existem também as doenças psiquiátricas, como a depressão e a ansiedade, em que a nossa especialidade é privilegiada para uma identificação precoce e, se necessário, encaminhamento para a especialidade de Psiquiatria. Nós, especialistas em Medicina Geral e Familiar, conseguimos conhecer o doente de forma mais íntegra, porque temos um cuidado continuado ao longo da vida e uma relação de proximidade com o doente, e, desta forma, conseguimos perceber sinais e sintomas que nos possam levar para estes síndromes depressivos e ansiosos, como a falta de vontade de fazer as coisas, sentir mais cansaço, não conseguir dormir, o que acaba por provocar um menor rendimento na parte laboral e familiar.
Com o intuito de as prevenir ou garantir o seu tratamento atempado, que rotinas de vigilância e prevenção devem os homens manter nas diferentes fases da vida?
Não existe nada padronizado ao longo das fases da vida do homem. Mas aconselhamos, pelo menos, uma consulta anual de rotina. Depois há certas idades como aos 50 anos, a chamada “idade de viragem”, em que devem ser realizados os rastreios referidos anteriormente e em que é importante fazer também o check-up geral, onde se incluem análises e eletrocardiograma, por exemplo. Contudo, esta avaliação é muito individualizada, dependendo sempre dos antecedentes pessoais e familiares e do exame físico realizado. O que aconselhamos é manter uma vigilância regular com o seu médico ao longo de toda a vida.
Qual é a importância de manter consultas regulares com o médico de família, para vigilância de fatores de risco ou doenças hereditárias?
Quando existem fatores de risco, que é um fator muito importante a considerar, principalmente hábitos nocivos como o álcool, tabaco, colesterol ou tensão alta, neste caso, os homens têm de ter uma vigilância ainda mais regular. Esta vigilância mais apertada permite-nos prevenir determinadas doenças e certas complicações, o que significa que podemos referenciar precocemente para as especialidades mais indicadas, continuando a dar apoio em todos os cuidados de saúde que vão surgindo. O mais importante é a promoção da saúde, sempre, em todas as consultas.
No caso de surgir a necessidade de um seguimento mais específico, como é feita, no Hospital CUF Viseu, a articulação entre o médico de família e as restantes especialidades?
O especialista em Medicina Geral e Familiar é, por norma, o médico de referência que a pessoa procura para consulta de rotina ou por algum sinal ou sintoma que tenha surgido. Após a avaliação e, consoante o resultado, encaminhamos para a especialidade mais correta para tratar de determinado problema de forma mais específica. No caso da CUF, estando o médico de família inserido numa estrutura hospitalar consegue orientar, de forma célere e integrada, o doente para outras especialidades mediante o seu caso particular ou, ainda, orientar para exames ou análises que em vários casos podem ser realizados no mesmo dia. Posteriormente, o doente volta ao seu médico de família para que seja dado seguimento às restantes patologias e cuidados necessários. É desta forma que o médico de família tem uma visão global da pessoa e um papel orientador e agregador entre as diferentes especialidades consoante as necessidades específicas de cada pessoa, mantendo sempre a proximidade com o seu doente.