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Vera Cardoso emigrou a primeira vez em 2015 para fazer o doutoramento em Singapura. Natural de Codeçais, no concelho de Castro Daire, a investigadora, de 35 anos, está agora em França.
A aventura por terras estrangeiras começou há sete anos, quando se mudou para “Singapura para fazer o Doutoramento porque em Portugal” não teve “essa oportunidade”. Esteve a viver no país asiático durante quatro anos. Antes de emigrar era bolseira de mestrado na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.
“Neste momento estou numa pequena vila, Gif-sur-Yvettte, que se situa aproximadamente 30 quilómetros a sul de Paris, em França. Decidi vir para a França por vários motivos”, explica.
“Primeiramente porque quando estava à procura de trabalho depois do doutoramento apareceu a oportunidade para fazer um postdoc num laboratório que iria desenvolver um trabalho de investigação numa área que me interessa particularmente. Para além disso, as condições de trabalho na área da investigação científica aqui em França estão entre as melhores na Europa. Finalmente, a facilidade com que se viaja entre França e Portugal”, justifica.
Vera garante que a mudança de Portugal para Singapura “foi extremamente fácil” tanto ao nível pessoal, como profissional.
“Singapura é um país extremamente seguro, limpo, organizado, tudo funciona e as pessoas são super acolhedoras e agradáveis. A mudança de Singapura para a França foi mais complicada porque foi feita em feita em plena pandemia, e basicamente durante um ano e meio a minha vida foi vivida entre casa e trabalho”, conta.
A investigadora adianta ainda que “felizmente” teve a sorte “de encontrar uns colegas de trabalho e uma chefe extremamente acessíveis e simpáticos” que a ajudaram e lhe facultaram “o suporte necessário atravessar esse período”.
“Este último ano já deu para conhecer e para me adaptar um pouco mais à cultura, ao estilo de vida, etc. E até agora estou a gostar, vamos ver daqui para a frente”, refere.
Vera diz que nunca se sentiu discriminada ou posta de lado por ser emigrante, mas revela que em França “ainda há muito o estereótipo de que os portugueses ou trabalham nas obras ou na limpeza”. “Portanto, não me livrei das piadas dos meus colegas franceses em relação a esse, e outros, estereótipos”, revela.
Das experiências internacionais que já soma, o que mais gosta é da “gastronomia e diversidade cultural”. O que menos aprecia “são os trabalhos nos transportes públicos durante verão e administração pública”.
Em regra, Vera Cardoso visita Portugal três a quatro vezes por ano para matar saudades da família e da terra que a viu nascer. O regresso ao nosso país é nesta altura posto completamente de parte.
“Em Portugal é extremamente difícil ter um trabalho estável em ciência, e, portanto, não penso em regressar”, conclui.