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Empresários da região de Viseu pedem ao Governo discriminação fiscal positiva

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 Empresários da região de Viseu pedem ao Governo discriminação fiscal positiva

Empresários da região de Viseu reivindicaram na segunda-feira (1 de julho) medidas de discriminação positiva para o interior ao nível da fiscalidade no plano económico que será apresentado esta semana pela Governo.

“Fala-se tanto do interior e então pergunto: porque é que não há uma discriminação positiva em termos fiscais? Não é assim tão difícil fazer, seja para as empresas como para as pessoas, para ajudar a criar riqueza”, defendeu o vice-presidente da Martifer, Arnaldo Figueiredo.

O gestor aproveitou o IRS Jovem, medida que abrange os cidadãos até aos 35 anos, para sugerir “fazer uma discriminação diferente, mais direcionada, porque a maior parte dos jovens estão no Porto e Lisboa” e no interior “também são precisos”.

“Eu veria com bons olhos para esta região uma discriminação positiva para a exportação”, exemplificou, dando como exemplo a Martifer que tem uma taxa de exportação de 80%.

O vice-presidente da Martifer, com sede em Oliveira de Frades, era um dos convidados do painel Empresas no encontro “Fora da Caixa” promovido pela Caixa Geral de Depósitos e que aconteceu ontem em Carregal do Sal.

Com a Martifer esteve também no debate o grupo espanhol Finsa, com fábrica em Nelas, representado pela diretora financeira, Helena Costa, e ainda o Grupo Visabeira, com sede em Viseu, representado pelo presidente executivo Nuno Marques.

A vontade de haver discriminação positiva fiscal foi manifestada quando questionados sobre o plano económico que o Governo prometeu apresentar esta semana.

Os três empresários assumiram em conjunto a discriminação positiva na área fiscal e Nuno Marques acrescentou ainda que “as médias e grandes empresas são duplamente penalizadas, porque não têm acesso a determinados fundos europeus”

Também foi sublinhado a “necessidade de ferrovia e de uma autoestrada entre Viseu e Coimbra, porque é inaceitável e incompreensível que não haja essas duas estruturas básicas”.

“É preciso fazer mais e falar menos, porque o problema é que [os governos] falam muito e fazem pouco e na realidade é importante ter infraestruturas básicas e a descriminação positiva nos impostos, quer para as empresas, quer para as pessoas, porque depois somos nós que temos de fazer o resto”, defendeu Nuno Marques.

Já a Finsa, destacou Helena Costa, fez um investimento de “milhões de euros para criar uma linha ferroviária própria para exportar para vários pontos da Europa e para receber matéria-prima e não está a funcionar”.

“A linha da Beira Alta está encerrada para requalificação, já foram anunciadas várias datas para a sua reabertura, mas continuamos a aguardar para podermos fazer a ligação e definitivamente usarmos a nossa linha férrea”, disse a diretora financeira.

As vantagens da ferrovia passam pela “economia de recursos e sustentabilidade na hora de escoar os produtos e de receber matéria-prima” e, como não existe, circulam “centenas de camiões, com um custo muito mais elevado”.

“As empresas para crescerem precisam de ter estas infraestruturas e os apoios e discriminações positivas seriam boas medidas, mas acima de tudo é preciso criar condições para que se coabite e se possa desenvolver para trabalhar na região”, defendeu Helena Costa.

A diretora financeira destacou que “é preciso mais do que bons vencimentos, os jovens hoje querem ser felizes a trabalhar e para isso é preciso criar condições a vários níveis, também fiscais, como de mobilidade na região”.

Do lado da Visabeira, Nuno Marques admitiu que o grupo de Viseu “tem conseguido atrair jovens qualificados, inclusive do exterior, mas muito pelo reconhecimento e pelo nome que a Visabeira tem” no mercado.

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