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O presidente da Câmara de Viseu disse esta manhã que será tomada uma decisão até ao final desta quinta-feira para evitar o encerramento à noite das urgências pediátricas do Hospital de Viseu a partir de 1 de junho. Decisão que deverá ser anunciada pelo Ministério da Saúde.
“Sei que hoje, antes do final do dia, teremos novidades”, disse Fernando Ruas durante a reunião do executivo camarário. Sobre qual a decisão, o autarca disse que não sabe, mas que tem a garantia de que “a Tutela há-de decidir sobre a situação”.
Fernando Ruas voltou a criticar o Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde Viseu Dão Lafões, acusando-o de não ter informado o Ministério, situação que considerou “incompreensível”.
“Eu fui confrontado como qualquer cidadão que as urgências iam fechar à noite. Fiquei muito admirado porque pensava que o mínimo era ter conhecimento disso. Mas nem eu nem a colega de Tondela tivemos qualquer aviso, fomos confrontados como qualquer cidadão. Já hoje fomos também confrontados que foi dado conhecimento ao diretor executivo, que está saída, do SNS. Bem, mas do gabinete do Ministério soubemos que não foi dado nenhum conhecimento. O que foi dito é que havia falta de meios … isto é que foi revelado à tutela, não lhes foi dito que a urgência fecharia a partir de 1 de junho”, esclareceu o autarca social-democrata.
A administração da ULSVDL informou, ao final da tarde de segunda-feira, que a urgência pediátrica estará encerrada ao exterior todos os dias no período noturno, entre as 20h00 e as 09h00, a partir de 1 de junho.
Em comunicado, a administração hospitalar informou que recorreu à “contratação de pediatras, em regime de prestação de serviços, para realizar turnos de urgência”, mas “a saída dos dois internos que terminaram agora a especialidade, aliada ao facto de ainda não ter sido aberto o concurso nacional para médicos recém-especialistas, agravou as condições de resposta da Urgência Pediátrica”.
Entretanto, em menos de 24 horas foi lançada uma petição contra o encerramento que já conta com mais de 10 mil subscritores e marcada uma manifestação para 1 de junho.
Movimentações populares que para o autarca de Viseu “pecam por tardias”, mas que deveriam ter também sido feitas anteriormente (durante a vigência do governo PS) por esta ou outras situações “iguais ou mais gravosas”. Fernando Ruas assegurou, no entanto, que vai continuar a cobrar a este governo tudo o que cobrou ao anterior.
Também os partidos os partidos já reagira a esta decisão. Até ao momento, o Bloco de Esquerda (BE) e a Iniciativa Liberal (IL) foram os únicos a tomar posição.
O BE anunciou já que vai questionar o governo, “através do seu grupo parlamentar na Assembleia da República”, e que “continuará presente em todas as lutas pela preservação e melhoramento do SNS”.
O partido defende ainda “a abertura de um regime de exclusividade, de adesão voluntária para todos os trabalhadores do SNS, com majoração dos seus salários em 40%, permitindo captar profissionais. Será necessário melhorar as condições de trabalho para todos os profissionais do SNS”.
Já o núcleo territorial da IL de Viseu disse rejeitar a “normalização do mau funcionamento do SNS” e “exigiu soluções urgentes”. “O encerramento da urgência pediátrica do hospital S. Teotónio é algo absolutamente inaceitável”, cdisseram os liberais.
“O atual governo tarda em apresentar o plano de emergência com que se comprometeu. Para além disto, nada de estrutural está a ser feito para mudar o funcionamento do SNS. A Iniciativa Liberal Viseu, olha para esta situação com imensa preocupação, sublinhou..
Hospital justifica decisão com falta de médicos
A Urgência Pediátrica, que desde março está condicionada ao exterior no período noturno entre quinta-feira e domingo, “por dificuldade de recursos humanos” viu agora a situação “agravada” com a saída de dois médicos, acrescenta.
“Apesar de ter ocorrido a contratação de pediatras, em regime de prestação de serviços, para realizar turnos de urgência, a saída dos dois internos que terminaram agora a especialidade, aliada ao facto de ainda não ter sido aberto o concurso nacional para médicos recém-especialistas, agravou as condições de resposta da Urgência Pediátrica”, salienta a Unidade Local (ULS) de Saúde Viseu Dão Lafões.
O conselho de administração adianta que “há apenas 15 especialistas a efetuar trabalho de urgência (oito para turnos diurnos e sete para turnos noturnos), sendo certo que muitos deles vão atingir no verão o limite legal de 150 horas suplementares (ou 250 horas para os médicos em dedicação plena)”.
No quadro do novo modelo organizacional da ULS, refere a administração no mesmo comunicado, “os cuidados de saúde primários estão a organizar-se para reforçar a sua capacidade de atendimento de doentes pediátricos agudos, no âmbito das consultas abertas/consultas de intersubstituição, garantindo um maior número de vagas disponíveis nos cinco dias da semana em todas as USF da cidade” de Viseu.
Segundo informou, “as SUB de Tondela e São Pedro do Sul estão capacitadas para atendimentos a utentes em idade pediátrica” e “a resposta em rede dos hospitais do SNS em Coimbra, Aveiro e Guarda permite atendimento referenciado após contacto com o SNS 24 e o INEM”.
Assim, reforça, o Plano de Contingência entra em vigor a partir de 01 de junho de 2024, que se traduzirá no “encerramento da Urgência Pediátrica Externa em todos os períodos noturnos entre as 20:00 e as 09:00 do dia seguinte”.
“Os utentes devem contactar sempre o SNS 24 (808 24 24 24) para orientação, antes de se dirigirem aos serviços de saúde e devem procurar uma resposta de proximidade junto da respetiva Equipa de Família / Centro de Saúde” e, em caso de emergência, “deve ser contactado o INEM (112), sendo o CODU [Centro de Orientação de Doentes Urgentes] responsável pela orientação”.
“No período noturno mantém-se uma equipa de pediatria que garante a Urgência Interna para crianças internadas e crianças em vigilância ou tratamento no Serviço de Urgência, admitidas antes das 20:00 e assegura-se o normal funcionamento do Bloco de Partos e Neonatologia nos sete dias da semana”, assume.
A ULSVDL afirma ainda que há “resposta garantida a emergências médicas pediátricas com risco imediato de vida na Sala de Emergência da Urgência Pediátrica, mesmo durante os períodos de constrangimento”.