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Um espetáculo em que o público está no palco, junto com os intérpretes, para juntos fazerem um exercício de apuramento de sentidos, estreia-se na quarta-feira no Teatro Viriato, em Viseu.
Concebido e dirigido por Paula Diogo, “Aurora (ou Livro)” cruza música, teatro e dança numa performance que se faz parcialmente de olhos fechados, tendo como público-alvo os ensinos secundário e superior e outros grupos organizados.
Paula Diogo explicou à agência Lusa que a opção por uma lotação de 50 pessoas em palco se prende com o objetivo de ter proximidade com o público para trabalhar a possibilidade de ausência de visão.
“Queríamos ter os corpos dos intérpretes próximos dos corpos do público, que numa primeira fase está sentado à volta da zona que nós ocupamos e depois é convidado a entrar no espaço”, explicou.
O nome inicial do espetáculo – uma coprodução da companhia Má-Criação e do Teatro Viriato – era apenas “Aurora”, uma vez que Paula Diogo queria abordar “a ideia do amanhecer como possibilidade de recomeço, de iniciar um dia novo, um ciclo novo”.
“Comecei a escrever o texto e, às tantas, apareceu a história de alguém que está a tentar escrever um livro todo composto por paisagens que não são visuais, são sensações físicas”, tendo no pensamento “como é que as pessoas cegas ou de baixa visão veem o mundo e o percebem”, contou.
Neste âmbito, a ficção desta pessoa que está a tentar escrever um livro começou a ser cruzada com “a tentativa de redescobrir o mundo através de outros sentidos” que não a visão.
Paula Diogo avançou que o espetáculo propõe “um abrandamento do ritmo do dia-a-dia para tentar escutar, ver e sentir de uma forma mais apurada” durante pouco mais de uma hora.
“A vida do dia-a-dia condiciona-nos muito àquilo que é visível – aos ecrãs, às televisões – e acaba por nos desligar de tudo o que são as sensações físicas do corpo, que são as que de verdade nos ancoram no mundo”, sublinhou.
João Lopes Pereira, Paula Diogo (em rotatividade com Márcia Lança) e Renato Linhares são os intérpretes e cocriadores de “Aurora (ou Livro)”.