No coração verde do concelho de Viseu, Côta é uma aldeia onde…
Nasceu, em Cinfães, a Quinta da Maria, um projeto turístico com alma…
No coração do Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros, há…
O ano de 2021 pode ser bom para os cogumelos silvestres na região de Viseu. Esta é pelo menos a convicção de José Manuel Costa, especialista em micologia e professor na Escola Superior Agrária de Viseu.
Além dos míscaros, que têm maior expressão em concelhos como Sátão e Aguiar da Beira, os tortulhos também estão entre as espécies mais procuradas pela população da região.
Em declarações ao Jornal do Centro, José Manuel Costa diz que há “bastante diversidade”. “O ano foi bom e começou bastante cedo, ainda em setembro”, acrescenta.
O especialista explica que a evolução micológica vai depender agora das geadas, que poderão eventualmente surgir e que costumam afetar parte da produção.
“Quando vêm, algumas espécies começam a desaparecer e outras só aparecem nesta altura mais fria de dezembro e janeiro. Tudo leva a crer que o ano esteja a ser bom em termos de diversidade de cogumelos”, adianta.
José Manuel Costa lamenta que, quando vão aos cogumelos, as pessoas destruam muitas espécies e a própria floresta recorrendo a ancinhos. O professor critica ainda a falta de legislação em Portugal nesta matéria, ao contrário do que acontece na Espanha.
Segundo o especialista, já existiram “várias tentativas para regulamentar, mas ainda não está nada publicado”.
“A única coisa que existe é um regulamento para proteger os proprietários florestais da invasão para recolher algum produto que possa frutificar como bagas, cogumelos ou o que for. Mas, a nível de boas práticas de recolha e apanha, não está nada ainda regulamentado e isto faz com que cada um faça o que acha que entenda que lhe dá jeito”, argumenta.
José Manuel Costa pede também cuidado nas matas e na próxima apanha e alerta para os riscos da ingestão de cogumelos venenosos, que provocam situações de intoxicação. O professor refere que alguns destes casos chegam a ser mesmo fatais.
A solução para o problema, defende, passa por uma correta identificação das espécies micológicas.
“Enquanto não houver capacidade para qualquer um de nós poder identificar com toda a certeza o que é comestível ou não, estamos a correr riscos ao recolhê-la e consumi-la. Como é um mundo completamente diverso em termos de espécies e semelhanças que a olho nu dificilmente se conseguem ver sem muita prática e sem muito estudo, o que acontece é que se confundem facilmente espécies comestíveis com espécies tóxicas e as consequências são óbvias”, aponta.
José Manuel Costa acrescenta que, na dúvida, o melhor é não apanhar cogumelos e apela à população apenas para colher os cogumelos que vai depois comer.