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A exibidora Cineplace encerrou os cinemas que explorava em centros comerciais na Guarda e nas Caldas da Rainha (Leiria), alegando a aplicação de um Plano Especial de Revitalização (PER), disse hoje à Lusa fonte dos proprietários dos recintos.
A decisão abrange, no total, oito salas de cinema nos complexos que a Cineplace explorava nos centros comerciais La Vie nas Caldas da Rainha e na Guarda, ficando as duas cidades sem exibição regular de cinema.
À Lusa, fonte da administração dos centros comerciais La Vie disse que na origem da decisão de encerramento está um Plano Especial de Revitalização apresentado pela exibidora, tendo em conta que “o modelo de negócio atualmente exigido implica a garantia de números mínimos de afluência de espetadores, condição que tem sido muito difícil de atingir de forma consistente, nos últimos anos”.
Terminado o contrato de exploração dos cinemas com a Cineplace, a administração daqueles centros comerciais adiantou que está a estudar “novas soluções e conceitos que possam responder às expectativas da comunidade local”.
A agência Lusa pediu mais esclarecimentos à Cineplace não só sobre o encerramento destes dois complexos como de outras salas de cinema que a exibidora fechou em 2025, mas ainda não obteve resposta.
De acordo com o portal Citius, a empresa exibidora apresentou um plano de revitalização, homologado em 2021 e que lhe permitiu recuperar capacidades de gestão.
Segundo os dados mais recentes do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), em 2025 a Cineplace explorava 62 salas de cinema em 12 complexos, sendo a segunda maior exibidora, atrás da NOS Lusomundo Cinemas, líder do mercado com 218 ecrãs.
Desses 12 complexos, a Cineplace encerrou em 2025 os cinemas em Portimão e no Algarve Shopping, na Guia, ambos no distrito de Faro, assim como no Madeira Shopping, no Funchal, e no Rio Sul Shopping, no Seixal (Setúbal).
Dos cinemas explorados pela Cineplace, a Inspeção-Geral das Atividades Culturais (IGAC) já tinha adiantado à Lusa que o Ministério da Cultura autorizou um pedido de desafetação de atividade das quatro salas no Estação Viana Shopping, em Viana do Castelo, a pedido dos proprietários deste centro comercial.
Estava ainda em instrução o pedido de “afetação a atividade de natureza diferente” em seis das 12 salas dos cinemas Cineplace em Braga, no centro comercial Nova Arcada.
Tanto em Viana do Castelo como em Braga, os cinemas ainda estão a operar.
A Cineplace é uma marca pertencente à exibidora brasileira Grupo Orient, que opera em Portugal desde 2013, depois de ter assinado um acordo com a Sonae Sierra, proprietária de vários centros comerciais no país.
A Grupo Orient reabriu alguns dos cinemas naqueles centros comerciais que tinham sido explorados pela exibidora Socorama, que entrou num processo de insolvência.
O panorama da exibição de cinema comercial tem em 2026 uma reconfiguração diferente, pelo encerramento de várias salas ocorrido ao longo dos últimos meses, não só da Cineplace como também da NOS Lusomundo Cinemas.
Esta exibidora encerrou a exploração de cinco salas no MaiaShopping (Porto), cinco salas no Tavira Grand Plaza (Faro) e seis salas no Fórum Viseu, às quais se juntam 12 salas na zona comercial do estádio de Alvalade, em Lisboa, no passado dia 01 de janeiro.
O Arrábida Shopping, em Vila Nova de Gaia, o maior complexo de cinema do país, explorado pela exibidora UCI, foi autorizado a desafetar a atividade cinematográfica em nove das 20 salas, por questões de “viabilidade económica”, como explicou fonte da IGAC à Lusa.
Por causa de todos estes casos, a ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, anunciou a criação de um grupo de trabalho para refletir sobre a exibição de cinema e o encerramento de salas no país.
Em dezembro, Margarida Balseiro Lopes disse à Lusa que este grupo de trabalho, que integra a IGAC e o ICA, iria “olhar para o histórico dos últimos três anos” sobre pedidos de desafetação, e que terá conclusões no primeiro trimestre deste ano.