No coração verde do concelho de Viseu, Côta é uma aldeia onde…
Nasceu, em Cinfães, a Quinta da Maria, um projeto turístico com alma…
No coração do Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros, há…
Sessenta e sete pessoas ficaram sem emprego após o encerramento da Fábrica de Camisas Sagres, no concelho de Mangualde.
A unidade têxtil fechou as portas na passada sexta-feira (31 de dezembro), o último dia de 2021. Fonte da empresa confirmou ao Jornal do Centro o encerramento e revelou que foi encerrada apenas a parte produtiva.
Segundo a mesma fonte, o encerramento já era anunciado “há uns anos porque a atividade não era rentável”, uma justificação que foi sendo comunicada e informada aos trabalhadores.
“Tudo foi feito para as coisas mudarem e não mudaram. Tomámos esta decisão para não ser mais complicado. Era algo que os trabalhadores já estavam à espera. As pessoas sabiam que as coisas não estavam bem e chegou agora o dia”, precisou a fonte da Camisas Sagres.
Os 67 funcionários dispensados vão para o desemprego e a empresa compromete-se a assumir as suas responsabilidades.
Já em declarações ao Jornal do Centro, o sindicalista Francisco Almeida, da União dos Sindicatos de Viseu, confessa ter sido apanhado de surpresa com este encerramento e diz mesmo que nada fazia prever este desfecho.
“Ainda não há muito tempo, a CGTP esteve à porta daquela empresa distribuindo informação e chamando a atenção para problemas que estavam a verificar-se em várias empresas do setor têxtil. Estivemos em Mangualde, Carregal e Vouzela e, da conversa que tivemos com os trabalhadores, nada fazia prever esta situação”, conta.
Francisco Almeida garante ainda que a União dos Sindicatos está a fazer vários contactos no sentido de acompanhar os trabalhadores para que “não prescindam dos seus direitos e não sejam enganados, até porque isto é muito recorrente nestas situações”.
O presidente da Câmara de Mangualde, Marco Almeida, não esconde a apreensão com o fecho da empresa que, sublinha, “é uma fábrica de referência com muitos anos e muita história” no concelho e que desempenhou “um papel fundamental no desenvolvimento do tecido empresarial”.
“Depois porque é mais uma empresa que encerra e, quando encerra, traz problemas para as famílias que, infelizmente, ficaram sem postos de trabalho e sem poder obter os rendimentos que iriam ter para fazer face aos seus compromissos. E o facto de encerrar mais uma empresa no concelho deixa-nos mais pobres porque o tecido empresarial é fundamental para o desenvolvimento económico”, acrescenta.
A Câmara de Mangualde está disposta a ajudar os funcionários despedidos e também a Camisas Sagres. Marco Almeida garante que o executivo irá reunir nos próximos dias com os responsáveis da empresa para que seja possível encontrar “soluções que minimizem o impacto que isto tem junto das famílias e da empresa e para podermos concertar uma estratégia conjunta de forma a podermos responder da melhor forma às duas partes”.
“É também obrigação do município tentar reunir nos próximos dias com as pessoas no sentido de disponibilizar os serviços municipais e também a Ação Social para podermos acompanhar de perto cada situação”, assegura o presidente da Câmara.
A Camisas Sagres abriu portas há mais de 50 anos e vendia, sobretudo, para o mercado externo, tendo acumulado experiência na produção de camisas e blusas. A empresa chegou a produzir uma média de 1.000 peças por dia.