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Há uma década na Suíça

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 Vive-se bem em Viseu Dão Lafões, diz mais de 84 por cento da população
25.03.21
fotografia: Jornal do Centro
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 Vive-se bem em Viseu Dão Lafões, diz mais de 84 por cento da população
25.03.21
Fotografia: Jornal do Centro
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 Há uma década na Suíça

Estava quase a fazer 19 anos quando deixou São João de Areias, no concelho de Santa Comba Dão, e se mudou para a Suíça. Foi há dez anos que Ruben Rocha Garcia abandonou Portugal. Com o 9º ano e um formação em carpintaria, tinha na altura apenas alguns meses de experiência nesta área.

“Decidi emigrar porque não estava fácil conseguir um trabalho fixo e que cumprissem com os pagamentos. Tive sempre muita ambição, desejava ter as minhas próprias coisas, a meu custo, e ser independente. Depois de várias tentativas de procurar emprego sem sucesso andava desanimado e o que queria mesmo era trabalhar e não continuar a estudar”, conta, acrescentando que, entretanto, “surgiu a oportunidade” de mudar de país.

“Com o incentivo dos meus pais, que também queriam que tomasse um rumo e não estavam felizes de me ver na situação que me encontrava, decidi aceitar e experimentar”, refere.

Ruben vive e trabalha em Genebra, cidade onde tem familiares. Foram eles que lhe arranjaram trabalho, que o acolheram e abriram as portas da sua casa e o ajudaram na adaptação à nova realidade.

“Estarei grato para o resto da vida por tudo o que fizeram e fazem por mim. A eles e aos meus pais pelo incentivo de tomar este rumo”, confessa.

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Em terras Helvéticas, este emigrante santacombadense já fez de tudo um pouco. Começou por trabalhar na construção civil numa empresa de azulejos onde esteve empregado durante oito meses. Depois mudou-se para uma firma especializada em armação de ferro onde esteve quatro anos. Paralelamente tinha um part-time, à noite, a fazer entregas de comida num restaurante português e onde permaneceu também durante quatro anos.

Atualmente, trabalha numa casa privada no centro histórico de Genebra. É uma espécie de mordomo onde desempenha várias funções. É motorista, trata das limpezas, do jardim e garante “o bom funcionamento” da habitação.

“É um trabalho de que me orgulho imenso. A oportunidade surgiu e eu agarrei-a”, explica.

Com uma década de Suíça, Ruben está mais do que adaptado ao país, mas não esconde que a mudança em 2001 foi “bastante complicada”. “Apesar de não estar sozinho, de ter retaguarda familiar em Genebra, o facto de ter deixado “os familiares diretos [em Portugal] foi muito difícil”.

“A primeira impressão até que foi boa, adaptei-me ao trabalho. Não era o que mais gostava de fazer, mas era o que tinha de ser. Quando comecei a ver os ordenados e as oportunidades que existiam no país, interessei-me cada vez mais. Trabalha-se duro, mas acaba-se sempre por ser valorizado e recompensado e isso é de louvar. Os suíços orgulham-se dos seus emigrantes e isso é bom, pelo menos é o que sinto”, afirma, salientando que nunca se sentiu discriminado por ser emigrante.

O que mais gosta em terras helvéticas é das oportunidades e da qualidade de vida que o país oferece. Destaca também pela positiva “as belas montanhas e a gastronomia”. De negativo, nada tem a apontar.

De Portugal o que mais sente falta é da família, dos amigos, mas também das tradições lusitanas, da comida, das festas, das praias e da “tranquilidade da aldeia”.

Para matar saudades do nosso país procura restaurantes e supermercados portugueses. Quando pode faz um churrasco com os que lhe são mais próximos, mas nos últimos tempos por causa da Covid-19 isso não tem acontecido.

“Como todas as pessoas pelo mundo”, Ruben diz que está a viver estes dias de pandemia “com receio”, mas também com ansiedade para que “tudo volte à normalidade”.

“Tenho tido a sorte de todos estarmos bem do meu lado e de ter sempre mantido trabalho durante a pandemia. Estou muito grato por isso. A altura mais complicada foi mesmo a primeira vaga em março de 2020, quando nasceu a minha primeira filha. Apesar de ser o momento mais marcante e feliz da minha vida foi também muito duro pelo facto de termos ficado impedidos de receber visitas dos nossos entes queridos após o momento e nos meses a seguir, mas tudo correu bem e isso é o mais importante”, defende.

Apesar da pandemia e do receio que teve, nunca pensou em voltar para Portugal. Quer regressar “um dia” como “qualquer emigrante”, mas só “quando tiver uma situação económica favorável para o fazer”.

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