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Infausto centenário, prisão de A para apanhar B, Catarina Martins e os aiatolás

 Os barcos de Bezos, Catarina e Jerónimo — o abanão das legislativas
30.01.26
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 Infausto centenário, prisão de A para apanhar B, Catarina Martins e os aiatolás

por
Joaquim Alexandre Rodrigues

1. Por alturas do 28 de Maio deste ano da graça de 2026, o país há-de rememorar o dia e o mês e o ano da desgraça de 1926, em que uns militares façanhudos partiram de Braga e assalazararam o país na apagada e vil tristeza da ditadura, um atraso de vida que durou 48 anos e colocou Portugal nos últimos lugares em todos os índices de desenvolvimento.
Para já, a conversa sobre o funesto centenário do 28 de Maio de 1926 ainda não ganhou tracção. Mas isso vai acontecer. Os media e as redes sociais estão sempre em défice de assunto e esta efeméride é sumarenta. Fiquemos tranquilos. Se aguentámos o palavreado sobre a “irremessível” culpa-do-homem-branco proveniente dos “mamadous” e das “lídias-jorges” das esquerdas woke, também havemos de aguentar o revisionismo e a lexiviação histórica do salazarismo operada pelas “cabeças falantes” das direitas radicais.

2. No dia 20, um punhado de agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) dos EUA deitou as gadunhas a Liam Conejo Ramos, uma criança de cinco anos, que estava a chegar a casa vinda do jardim infantil, e usaram-na como isco para prender o seu pai imigrante, Adrian Alexander Conejo Arias. A seguir, aqueles esbirros do sr. Trump levaram Liam e Adrian para um centro de detenção.
Por coincidência, no mesmo dia em que soube deste prende-o-filho-para-apanhar-o-pai, encontrei, num texto antigo pró-Khomeini de Michel Foucault, uma história de prende-o-pai-para-apanhar-o-filho igualmente sinistra: em 1972, a Savak, a polícia política do Xá do Irão, começou por prender o pai do sociólogo Ali Shariati para, com isso, conseguir que aquele “teólogo da libertação” xiita se entregasse nas masmorras do Xá.  

3. A situação no Irão é desesperante. O regime dos aiatolás é odiado pelos iranianos. Ciclicamente, há levantamentos populares, quase sempre iniciados por mulheres, que são reprimidos com crueldade.
Desta última vez, fontes do ministério da saúde do Irão reconheceram à revista Time que os aiatolás mataram “pelo menos 30 mil pessoas” nos dias 18 e 19 de Janeiro. A carnificina foi de tal ordem de grandeza que os mortos foram retirados das ruas não em ambulâncias mas em camiões.Ora, três dias depois desta chacina, no dia 22 de Janeiro, o parlamento europeu aprovou um voto de protesto contra a brutal repressão dos aiatolás ao seu povo, um texto exaustivo, factual, que acusa o Irão de financiar “o Hezbollah no Líbano, os Houthis no Iémen, o Hamas em Gaza e as milícias xiitas no Iraque”. O documento mereceu a concordância de 562 eurodeputados (89 %), a discordância de 9 (1 %) e a abstenção de 57 (9 %).
Entre os eurodeputados portugueses presentes, todos condenaram a teocracia iraniana menos Catarina Martins. Esta, sem surpresa, preferiu abster-se. Para Catarina Martins as mulheres iranianas são filhas de um Deus menor. Que pensarão disto os 116.413 portugueses que votaram nesta pessoa na primeira volta das presidenciais?

 Os barcos de Bezos, Catarina e Jerónimo — o abanão das legislativas

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