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Tatiana Morais, natural de Castro Daire, está entre os cinco investigadores distinguidos na sexta edição do Prémio Maria de Sousa, pelo seu trabalho sobre novos mecanismos associados à progressão da doença de Alzheimer. A investigadora do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (ICVS) da Universidade do Minho vai ainda realizar um estágio na Technical University of Munich, na Alemanha.
A cientista integra o grupo de cinco jovens investigadores portugueses que vão receber até 30 mil euros cada para desenvolver projetos inovadores nas áreas das infeções, cancro, doenças neurodegenerativas, doenças autoimunes e neurociências.
O prémio, atribuído pela Ordem dos Médicos e pela Fundação Bial, distinguiu também Luísa Fialho, Sara Isabel Fernandes, Simão Teixeira e Ana Verónica Domingues, cujos projetos incluem estágios em centros de investigação de referência na Alemanha, Espanha, França e Portugal.
Com o projeto «Modulação comportamental e cognitiva na doença de Alzheimer pelo metabolismo lipídico astrocitário», Tatiana Morais pretende aprofundar o conhecimento sobre a forma como as alterações no metabolismo dos lípidos dos astrócitos contribuem para a progressão daquela doença neurodegenerativa.
Os astrócitos são células cerebrais que asseguram o suporte metabólico dos neurónios e regulam a comunicação entre eles. Na doença de Alzheimer, alterações no seu funcionamento, nomeadamente na produção e transporte de lípidos, poderão estar relacionadas com a atividade neuronal excessiva, as crises epiléticas e o declínio cognitivo.
A investigação vai incidir sobre duas vias envolvidas nestes processos, procurando compreender o seu papel na evolução da doença e identificar alterações lipídicas e moleculares que possam constituir novos alvos terapêuticos.
No âmbito do projeto, a investigadora terá a oportunidade de realizar um estágio no Institute for Advanced Study do University Hospital rechts der Isar, integrado na Technical University of Munich.
Os restantes projetos distinguidos abrangem o desenvolvimento de pensos inteligentes para a monitorização e tratamento de feridas infetadas, novas abordagens terapêuticas para o cancro do pulmão, mecanismos associados à artrite autoimune e o papel do sistema opioide endógeno na aprendizagem e no comportamento.
«O Prémio Maria de Sousa nasceu para perpetuar o nome de uma cientista excecional, mas também para dar continuidade àquilo que Maria de Sousa defendia: curiosidade, rigor e uma enorme confiança nas novas gerações de investigadores», afirmou Luís Portela, presidente da Fundação Bial, salientando a importância de apoiar os jovens cientistas numa fase determinante dos seus percursos.
Também o bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, destacou que o investimento nos jovens investigadores representa uma aposta no futuro da medicina e da saúde em Portugal, permitindo desenvolver projetos ambiciosos e estabelecer colaborações com centros científicos de excelência.
A cerimónia de entrega da sexta edição do Prémio Maria de Sousa realiza-se hoje, às 15:30, no Auditório da Ordem dos Médicos, em Lisboa, com a presença da secretária de Estado da Ciência e Inovação, Helena Canhão, e do presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, Luís Ferreira.
Os trabalhos vencedores foram selecionados por um júri presidido pelo neurocientista Rui Costa, presidente e diretor executivo do Allen Institute, nos Estados Unidos.