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Há mais uma deputada natural da região de Viseu eleita para o Parlamento. Trata-se de Ester Vargas, do PSD, que foi eleita pelo círculo da Europa, depois de contados os votos da emigração para as legislativas.
A cabeça de lista dos sociais-democratas pelo Velho Continente lamenta a forma como decorreu a contagem dos votos onde, segundo a Comissão Nacional de Eleições, foram contabilizados votos que eram nulos.
Em declarações ao Jornal do Centro, a recém-eleita deputada natural de S. Pedro do Sul considera que a lei não foi respeitada e lembra que o PSD tem alertado sobre “a ilegalidade que estava a ser cometida, uma vez que havia muitas mesas de voto que não estavam a cumprir a lei”.
“As coisas não correram da melhor maneira porque as mesas ignoraram os nossos protestos e ainda o parecer que foi distribuído pela própria Comissão Nacional de Eleições. E foi com muita tristeza que vimos a anulação de um número significativo de votos”, lamenta.
Ainda assim, Ester Vargas destaca a maior adesão dos emigrantes nestas eleições. A parlamentar laranja garante que, apesar das supostas ilegalidades cometidas, a eleição dos quatro deputados dos círculos da emigração não ficou em causa “na medida em que foram anuladas as decisões e os resultados das mesas que tinham defraudado a lei”.
Segundo os resultados publicados esta quinta-feira (10 de fevereiro) pela Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna, o PS e o PSD elegeram um deputado cada pelo círculo da Europa. “É evidente que o PS poderá reclamar da anulação de votos, mas, de qualquer modo, não vai invalidar a eleição que já foi anunciada”, acrescenta Ester Vargas.
Entretanto, o PS já decidiu não recorrer da anulação de mais de 157 mil votos de emigrantes para evitar “mais perturbação”, disse à Lusa o deputado Paulo Pisco, que considera a situação “totalmente inaceitável” e “absolutamente a evitável”.
Em declarações à Lusa por telefone, Paulo Pisco, que é também cabeça de lista do PS pelo círculo da Europa, disse que o partido decidiu não recorrer desta decisão, porque não altera a distribuição de mandatos e para manter “uma postura de Estado, para que não haja mais perturbação do que aquela que já houve”.
Em comunicado divulgado hoje, o Partido Socialista diz que “não contribuirá mais para o prolongamento deste grave e inútil incidente provocado pelo PSD e deseja que todo o processo eleitoral fique encerrado o mais rapidamente possível, para dar lugar à nova legislatura”.
Mais de 80% dos votos dos emigrantes do círculo da Europa nas legislativas de 30 de janeiro foram considerados nulos, após protestos do PSD, mas a distribuição de mandatos mantém-se, com PS e PSD a conquistarem dois deputados cada nos círculos da emigração.
Segundo o edital publicado hoje sobre o apuramento geral da eleição do círculo da Europa, de um total de 195.701 votos recebidos, 157.205 foram considerados nulos, o que equivale a 80,32%.
Em causa estão protestos apresentados pelo PSD após a maioria das mesas ter validado votos que não vinham acompanhados de cópia do cartão de cidadão (CC) do eleitor, como exige a lei.
Como esses votos foram misturados com os votos válidos, a mesa da assembleia de apuramento geral acabou por anular os resultados de dezenas de mesas, incluindo votos válidos e inválidos, por ser impossível distingui-los uma vez na urna.
Nos círculos da emigração, o PS foi o partido mais votado com 37,72 por cento dos votos, tendo elegido dois parlamentares. Já o PSD, que conseguiu eleger outros dois deputados no total, teve 28,40 por cento. O Chega foi a terceira força política a receber mais votos com 9,86 por cento.