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O crescimento descontrolado e desordenado do eucalipto e da mimosa tem contribuído para o surgimento de incêndios florestais na região de Viseu, assim como o desordenamento do território e a forma como a floresta tem sido gerida.
A conclusão é da Confederação Portuguesa das Associações de Defesa do Ambiente (CPADA), que aponta também para a desertificação e a falta de limpeza. O secretário-geral deste organismo, João Branco, faz o alerta: está a acontecer um “ciclo vicioso” que, a seu ver, pode levar a ainda mais eucalipto.
“Os incêndios nas últimas décadas acabaram por provocar um crescimento descontrolado do eucalipto, mas também da mimosa. O distrito de Viseu também tem um problema grave com a infestação das mimosas e o que acontece basicamente é que o eucalipto e a mimosa crescem com grandes densidades. Temos dezenas de milhares de árvores por hectare, são densidades altamente excessivas”, afirma.
João Branco acrescenta que, nestes casos, o proprietário não intervém, resultando num maior combustível na floresta. “Inevitavelmente, isso acaba por arder e, ao arder, vai crescer ainda mais o eucalipto porque ele propaga-se por semente e a sua área tende de aumentar com os incêndios. Há aqui um ciclo vicioso: há mais eucalipto, arde mais, mais eucalipto e por aí fora”, diz.
João Branco defende que este um problema que é preciso resolver, “não é muito fácil, para não dizer quase impossível, por causa das condições socioeconómicas e da falta de pessoas no mundo rural”.
“Por outro lado, grande parte dos proprietários são absentistas não porque queiram, mas porque estão completamente descapitalizados e não têm dinheiro para mandar limpar os seus terrenos. A floresta também não é rentável, o que impede as necessárias intervenções”, adverte.
Para responder a esta situação, o secretário-geral da CPADA defende a adoção de “uma política musculada para promover o emparcelamento”. “Se eu tiver dez parcelas dispersas pelo território, de um hectare cada uma, tenho dez hectares de terreno, mas não valem nada porque as parcelas estão dispersas. Se eu tiver os mesmos dez hectares numa única parcela, consigo geri-la de uma forma muito mais racional”, diz acrescentando que esta medida traz também outras vantagens na transmissão de terrenos e na aglomeração de propriedades.
Bloco de Esquerda ‘culpa’ monocultura da celulose
Já o Bloco de Esquerda defende novas políticas para proteger a floresta. O dirigente bloquista David Santos diz que essas políticas devem defender também a agricultura e o interior.
“Quando dizemos que os incêndios não são uma fatalidade, isso quer dizer que, quando há mudanças de temperatura muito altas, temos que preparar o nosso país para enfrentarmos essas alterações”, argumenta.
David Santos diz que este é também um problema político relacionado com o que chama de “monocultura do eucalipto” e que é preciso enfrentar a indústria da celulose.
“Podemos ter uma floresta melhor, mas é preciso coragem para enfrentar os lobbies da indústria, nomeadamente da celulose, e é preciso mais floresta pública. Não podemos esquecer que Portugal é dos países com menos parque público de floresta, na ordem dos três por cento, enquanto a média europeia está na ordem dos 50%. É preciso uma agricultura não tão intensiva, mas mais extensiva, também precisamente por causa da água”, conclui.