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Nos congressos partidários não dizem mal uns dos outros, nem discutem futebol, nem namordiscam…

 Segurança Social: um sistema sob pressão demográfica
28.03.26
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 Nos congressos partidários não dizem mal uns dos outros, nem discutem futebol, nem namordiscam…

por
Joaquim Alexandre Rodrigues

Em Viseu, na terra que já foi o cavaquistão, realiza-se este fim-de-semana o Congresso do PS. É o “efeito-João-Azevedo”, o protagonista da vitória socialista mais saborosa das últimas autárquicas. Os trabalhos (sim, trabalhos, já lá vamos) vão contar também com um cantar, o de Bárbara Tinoco. Que me lembre, é coisa inédita em eventos deste tipo.
Desde que foram instituídas as primárias para eleição do líder, os congressos perderam boa parte do interesse. Não são como “antigamente” em que o preferido dos vips podia ser defenestrado pelas bases durante os trabalhos (sim, trabalhos, já lá vamos).
Nunca houve grandes dramas nos congressos da esquerda, mas o mesmo não se pode dizer nos da direita. Ficou célebre o congresso do PSD na Figueira da Foz, em 1985, em que Aníbal Cavaco Silva saiu de casa para rodar um Citroën BX e acabou a ocupar o lugar que estava “destinado” a João Salgueiro.  
Mais notável ainda foi o homicídio político que aconteceu no congresso do CDS, em Braga, em Março de 1998, e que foi transmitido em directo pelas televisões. Nunca mais houve nada parecido. Uns anos depois, em Fevereiro de 2008, aqui no Olho de Gato, descrevi assim aquele momento ímpar:
A sequência mais cinemática da política portuguesa aconteceu num Congresso do CDS. Ainda era primeiro-ministro António Guterres, patrão agora de Angelina Jolie.
Os “trabalhos” a decorrerem. Trabalhos, sim!: os congressistas trabalham, não dizem mal uns dos outros nas costas uns dos outros, nem discutem futebol, nem namordiscam… Os “trabalhos” decorriam. Ainda era Manuel Monteiro ao centro, na mesa principal.    
De súbito, irrompem aplausos no fundo da sala. O povo do CDS vira a cabeça. Sorrisos no ar. Cenhos franzidos nas elites. Palmas. Metronicamente, Ele entra. Ele. O Messias. Paulo Portas, saudado pela sala em pé, caminha enérgico a olhar para Manuel Monteiro.    
A turba agita-se. As televisões seguem a cena. Paulo Portas mais próximo. A sala paroxiza-se. As meninas jotas ruborescem. As madames têm princípios de delíquios. Os cabos de votos do Minho acenam que sim com a cabeça.
Paulo chega à mesa. Aperta energicamente a mão a Manuel. No tempo de um aperto de mão, Paulo “é”, Manuel “era”. A política à Paulo Portas foi, então, naquele momento, bíblica.

A última vez em que um congresso do PS deu um impulso político ao partido e ao país foi em 2014, quando, graças ao actual presidente da república, houve umas eleições primárias abertas a militantes e a simpatizantes, em que votaram 177.350 pessoas. António Costa ganhou-as mas, logo a seguir, fechou outra vez o partido. Fechou o que António José Seguro tinha aberto. Regressou tudo ao rame-rame anterior. Tudo medíocre e pequenino, tudo entregue ao aparelhismo partidário outra vez.
Por mais que, durante este fim-de-semana, os jornalistas tentem puxar pela pequena intriga, por exemplo a proveniente do lobista filho do presidente do conselho europeu, o congresso vai ser um tédio.
Sejam bem-vindos, caros congressistas. Aproveitem. Viseu é uma cidade linda onde se come muito bem. 

 Segurança Social: um sistema sob pressão demográfica

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