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Mangualde: Uma parceria a precisar de muitas explicações

 SP – Opinião - Jornal do Centro
31.07.21
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Há 10 anos, em 2011, a Câmara Municipal de Mangualde, então presidida por João Azevedo, anunciou com grandes parangonas uma parceria público-privada para o concelho. Objectivo: a criação de um complexo de lazer, que incluiria uma praia fluvial, junto ao recinto da feira semanal. A entrada em funcionamento foi marcada para o Verão desse mesmo ano.
Os números pareciam tentadores: os privados investiam 1 milhão de euros. A Câmara fornecia o terreno. O impacto na região seria, diziam, de 13 milhões de euros durante os 6 anos seguintes.
«Quando a esmola é grande o pobre desconfia» diz o nosso povo. A Comissão Concelhia de Mangualde do Partido Comunista Português foi analisar o contrato celebrado e concluiu que o propalado «custo zero» para o erário público afinal não era bem assim.
Como pôde o executivo camarário falar de custo zero quando contratualmente se obrigou a fornecer água de borla (e não é tão pouco como isso), electricidade de borla (palcos, máquinas das piscinas, restauração, iluminação, etc.), construir infra-estruturas, assegurar a manutenção do recinto durante 9 meses por ano, segurança externa, vedação e por aí fora.
Estamos a falar de muitos e muitos milhares de euros. Só a manutenção dum complexo deste tipo atinge várias dezenas de milhar de euros por ano. A que acresce a factura da EDP. E tudo o mais. Falava-se, e escrevia-se, em 240 mil euros/ano.
Profundamente demagógica e falsa foi a evocação que o investimento se traduziria também na criação de 120 postos de trabalho. Mais uma das habituais trampolinices contabilísticas de João Azevedo. Cento e vinte postos de trabalho, precários, durante 3 meses por ano, foram então o novo conceito de emprego do Presidente da Câmara.
Desde então o PCP e a CDU têm exigido do executivo camarário um cabal esclarecimento sobre os verdadeiros custos para os munícipes de Mangualde desta parceria publico-privada. Sem subterfúgios e engenharias financeiras. Em nome de uma política de transparência.
Neste mandato, entre 2017 e 2021, o eleito da CDU na Assembleia Municipal de Mangualde, Fernando Campos, insistiu, quer de viva voz, quer em requerimentos escritos, que se divulgassem de vez todos os dados do negócio.
Dois presidentes de câmara do Partido Socialista em exercício, tal como desde 2011, remeteram-se ao mais ensurdecedor dos silêncios. Às questões legítimas responderam nada, népia, zero. Será que os valores envolvidos estão abrangidos pelo conceito de «segredo de Estado»? De que têm medo?
O que se sabe é que um dos promotores do negócio foi nos últimos 4 anos vereador de uma autarquia a sul do rio Tejo como eleito do Partido Socialista.
Nesta campanha voltaremos a este tema…

 SP – Opinião - Jornal do Centro

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