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José Carreira
A Polícia Judiciária (PJ) identificou salas online com símbolos nazis e discurso de ódio dirigido a pessoas negras e até a bebés, no Roblox, um dos jogos mais populares entre crianças e adolescentes em todo o mundo. A PJ lançou recentemente a campanha “Hate online, Kills offline” (ódio online mata offline) com dois grandes focos, os pais e a comunidade educativa, para que estejam atentos a eventuais sinais de radicalização e as crianças e jovens que são muitas vezes recrutadas através das redes sociais e plataformas de gaming. Segundo o Inspetor-chefe Hugo Silva, que integra a Unidade Nacional de Contraterrorismo (UNCT), “A ideia é haver material fornecido por nós a ser divulgado nas escolas e até fazermos várias apresentações da campanha nos estabelecimentos de ensino.” A jornalista Ana Tulha assinou, na Notícias Magazine (25/01/2026), a reportagem “Quando o Extremismo Entra na Sala de Aula” onde regista relatos de pais e professores que evidenciam a proliferação de ataques a crianças com base na nacionalidade. São reproduzidos na sala de aulas e nos recreios comentários xenófobos, racistas, misóginos: “volta para a tua terra.”; “preto da amadora”; “isto não é o Bangladesh”; “Portugal aos portugueses”; “os ciganos têm de cumprir a lei”; “os ciganos deviam morrer todos”; “são todos a mesma merda”; “não valem nada”.
A normalização do discurso de ódio, da violência e da agressão contra o outro tem vindo num crescendo alarmante. O discurso de políticos populistas, de extrema direita, de confrontação contínua, de superioridade em relação ao outro, de segregação e violência, propagado nas redes sociais, impacta nas famílias e consequentemente nas crianças e jovens. É bem evidente que, a partir do momento em que a extrema direita ganhou força em Portugal, muitas pessoas são autênticas caixas de ressonância contra migrantes e minorias. É de arrepiar aquilo que lemos e ouvimos de amigos e conhecidos. É fácil perceber que os discursos, que fazem o seu caminho no seio das famílias, invadem as escolas. Os dados oficiais não deixam margem para quaisquer dúvidas, a violência nas escolas aumenta de ano para ano. Em conversa com colegas, fui chamado a atenção para um outro fenómeno, menos evidente, mas real, a violência exercida por crianças e jovens migrantes sobre os seus pares e sobre os professores. Este aspeto não pode ser omitido nem negligenciado. Há agressores e agredidos, nacionais e estrangeiros. Os danos causados nas crianças e jovens têm impacto no presente e no futuro. Não podemos continuar a normalizar a agressão, o desrespeito, a desumanização. Uma criança é uma criança, independentemente da sua origem, cor, raça, religião, género.
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José Carreira
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Joaquim Alexandre Rodrigues
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Sandra Varanda
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Joaquim Alexandre Rodrigues
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Marta Costa