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Os números da reciclagem nos 19 concelhos que integram a Associação de Municípios da Região do Planalto Beirão (AMRPB) duplicaram nos últimos sete anos.
Em 2021, cada habitante da região reciclava em média 42 quilos de resíduos recicláveis, o dobro face a 2014 (21 quilos). Para este ano prevê-se um novo aumento dos indicadores.
Esta subida dos números da reciclagem resulta do investimento feito nos últimos anos pela AMRPB na instalação de novos contentores e nas campanhas de sensibilização e educação ambiental levadas a cabo, entre outras medidas, explicou esta quarta-feira (14 de dezembro) a associação de municípios na sessão de apresentação pública dos resultados da Operação POSEUR “Recolha seletiva e tratamento de resíduos de embalagens”.,
“Os últimos cinco anos revelaram uma competência inexcedível daquilo que foi e é a capacidade empreendedora da associação de municípios, estamos hoje mais fortes e aptos a todos os níveis. A recolha indiferenciada de resíduos urbanos está mais eficiente e direcionada para um serviço público de qualidade. A recolha seletiva de resíduos de embalagens permite reciclar atualmente o dobro das quantidades de 2014”, frisou Leonel Gouveia, presidente da AMRPB, salientando que também “o tratamento dos resíduos sólidos urbanos mostra-se cada vez mais eficaz fruto de investimentos constantes”.
“A sustentabilidade financeira do sistema é efetivamente estável, apesar dos tempos difíceis por que passamos desde 2017, em que um grave incêndio nos custou mais de seis milhões de euros em obra de reabilitação do centro de tratamento. [Tivémos] uma pandemia mundial que pôs à prova o nosso serviço público e [atravessamos] uma forte crise económica decorrente de uma guerra que persiste e que exige reequilíbrios económicos e financeiros”, afirmou.
O autarca disse ainda que a AMRPB aguarda com “expectativa a versão final do plano estratégico para a gestão dos resíduos sólidos urbanos até 2030”, o PERSU 2030, que irá definir as metas para o país alcançar uma economia circular, seguido as diretrizes europeias.
“Espera-se que seja definida uma estratégia para que o país e especialmente a região Centro resolva algumas das suas limitações em matéria de gestão de resíduos urbanos”, anotou, explicando que todo o país terá que “reciclar muito mais e melhor em todas as fileiras”.
“Temos que estender a todo o território a reciclagem de biorresíduos com base em recolhas seletivas e temos que reduzir fortemente o envio de resíduos para aterro”, defendeu.
Até 2025 os 19 concelhos que integram o Planalto Beirão têm que separar e reciclar 65% dos resíduos de embalagens produzidos, o que equivale a 87 quilos por habitante.
“Vários são os desafios que temos pela frente em consequência e de diretrizes europeias, que requerem tarifas europeias”, alertou.
Aproveitando a presença de José Morgado, vice-presidente da Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), Leonel Gouveia defendeu que ambas as organizações têm que caminhar juntas e criar “instrumentos intermunicipais com impacto nos financiamentos futuros”.
“Desde logo instrumentos que preservem a sustentabilidade económica da gestão de resíduos urbanos, com uma visão intermunicipal, através de ações concertadas, programadas e financiadas que promovam mais valorização multimaterial de resíduos recicláveis, melhor valorização orgânica dos biorresíduos e, à escala regional, valorização energética de resíduos urbanos ou de combustíveis derivados de resíduos”, explicou, sublinhando que estas medidas traduzir-se-ão numa “redução expressiva de deposição de resíduos em aterro, com reflexos na taxa de gestão de resíduos”, que para os “autarcas é um custo que penaliza os cidadãos, tanto mais num contexto inflacionário que pressiona os rendimentos disponíveis das famílias”.
Sem poluição
Também José Morgado, vice-presidente da CCDRC, alertou para “as diretivas comunitárias muito apertadas” na área dos resíduos que o país terá que cumprir nos próximos anos.
Na opinião do antigo autarca de Vila Nova de Paiva, só com sensibilização e educação ambiental é que os números exigidos por Bruxelas poderão ser alcançados.
“Se valorizarmos os resíduos não existe este encargo acrescido para as populações. Se continuarmos a enterrar e a não tratar o lixo os custos são acrescidos”, avisou.
Perante um auditório cheio de autarcas de toda a região, José Morgado garantiu que à CCDRC não chegou qualquer queixa sobre focos de poluição causados pelo aterro e pelo trabalho desenvolvido pelo Planalto Beirão, ao contrário do que acontece noutros pontos da região Centro.
“Não temos qualquer denúncia de que haja qualquer tipo de dano para o solo, água ou para o ar, ao contrário do que acontece noutras regiões”, apontou.
Tondela disponível para acolher mais investimento na área dos resíduos
A presidente da Câmara de Tondela, Carla Antunes Borges, mostrou-se orgulhosa por o concelho acolher várias empresas ligadas à reutilização e valorização dos resíduos e garantiu que o município está disponível para acolher mais investimentos empresariais nesta área.
“Nós, em Tondela, reconhecendo a importância deste setor continuamos a apostar no seu desenvolvimento, a nível empresarial criando condições para que mais empresas se fixem em Tondela, criando condições para valorizar aquele que é este importante cluster empresarial”, disse.
“Queremos acolher aqui também na envolvente à implantação do aterro sanitário, à sede da AMRPB, mais empresas ligadas a este setor. E aqui manifestamos este nosso empenho para que mais empresas se possam localizar aqui em Tondela. Sabemos da importância destas localizações próximas dos centros de valorização e recuperação de resíduos, é importante apostarmos nos circuitos custos e na valorização e sustentabilidade dos resíduos e na promoção da sustentabilidade ambiental”, concluiu.
Avisos
Em representação do POSEUR, João Vilhena, na unidade operacional do Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos, explicou que a AMRPB recebeu cerca de 18 milhões de euros de fundos comunitários para executar projetos no domínio dos resíduos, que apresentam uma taxa de execução de 97%.
O Planalto Beirão apresentou a segundo maior candidatura do país para executar obras e ações na área da reciclagem.
João Vilhena pediu ainda celeridade na execução dos projetos que ainda não foram dados por concluídos, avisando que os financiamentos comunitários do atual quadro terminam em dezembro de 2023.
“Acelerem todos os projetos por estarmos a entrar no último ano de execução do programa. [Devem] concluir tudo o que está em curso, todos os investimentos têm que estar concluídos, operacionais, e pagos antes de 31 de dezembro, tudo o que for apresentado após esta data não é cofinanciado”, alertou.