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Os produtores do vinho ainda dizem que ainda é cedo para avaliar o impacto, mas a seca já causa apreensão na região do Dão.
A falta de água preocupa os produtores e os enólogos, mas ainda mantêm a esperança de que a chuva possa regressar para salvar a produção. Chuva essa que já está prevista que regresse a Viseu neste fim de semana.
O presidente da Comissão Vitivinícola Regional do Dão, Arlindo Cunha, admite que, se a seca for prolongada, pode causar danos graves no sector, mas diz que os impactos ainda não se notam bastante nesta altura.
“As videiras encontram-se ainda na fase de repouso vegetativo e só daqui a cerca de um mês é que começará o novo ciclo de vida das plantas. Porém, como já aconteceu nalguns anos, se não chover nestes meses de fevereiro e março e se a chuva se acumular sobretudo em finais de abril e inícios de maio, ainda por cima se for muito concentrada e permanente, isso pode prejudicar gravemente a produção de vinho”, afirma.
Maio costuma ser a época para a floração das videiras. Arlindo Cunha acrescenta que o excesso de chuva pode causar com que a flor nas videiras fique a apodrecer e não possa gerar o fruto. “Isto pode ser muitíssimo grave”, frisa acrescentando que o ideal seria chuva intensa em março.
Caso essa previsão não se confirme, o presidente da CVR Dão e ex-ministro da Agricultura prevê mesmo um verão complicado “por duas razões”.
“Primeiro, porque há poucas reservas hídricas nos solos. E nas vinhas do Dão, que são sequeiros, como de um modo geral em todo o país, em algumas zonas mais áridas podemos ter problemas de stress hídrico das plantas”, explica.
Um problema que afeta “uma das principais variedades” da região do Dão, como é o caso da Touriga Nacional, que “é bastante sensível ao stress hídrico”.
“E as plantas, quando ficam em stress hídrico, não amadurecem as uvas, porque não tem reservas hídricas para isso. Com o stress hídrico começa a cair a folha e não amadurecem os cachos e esta é uma situação para a eventualidade de não chover ou de chover muito pouco daqui até ao verão”, acrescenta Arlindo Cunha.
Produtores também apreensivos com a seca
Já o enólogo e produtor da Quinta dos Três Maninhos em Nelas, Pedro Borges, também admite que é difícil avaliar o impacto da seca nas vinhas e na produção vitivinícola.
“Mas os indicadores mostram que, com este clima de seca e as temperaturas anormais nesta época do ano, a maioria de nós já fez a poda e íamos começar com a fase da empa. Só que, como as plantas estão de tal maneira secas, elas vão partir. Nós estamos realmente fastiosos da água, tal como as plantas”, diz.
Pedro Borges sublinha que aquilo o que chama de “situações anormais” pode amparar o ciclo vegetativo, “o que será realmente trágico, porque poderá haver uma geada tardia e isso será devastador para a produção de vinho em 2022, mas são cenários para os quais nós não temos a certeza”.
Também Sónia Martins, da empresa Lusovini, reconhece que a seca pode comprometer a produção vinícola na região.
“As alterações climatéricas são evidentes e todos temos de olhar para elas com algum cuidado para perceber de que forma podemos alterar as práticas que nos possam permitir manter a plantação e o cultivo da vinha em regiões onde existe mais falta de água”, afirma a enóloga.
Sónia Martins lembra também que a “maioria das nossas vinhas” são plantadas “em solos que retêm mais água”.
A enóloga da Quinta da Mariposa em Carregal do Sal, Lúcia Freitas, considera que a água “é necessária nesta altura” para alimentar as vinhas e as uvas “porque, entre fevereiro e março, deve chover para que a planta cresça e, depois, cresça também o bago mais tarde”.
“Ainda estamos no início de fevereiro e, normalmente, quando não chove em fevereiro, dizem os antigos que vai chover em março. Portanto, ainda estamos a aguardar a chuva e esperamos que venha e que corra tudo bem”, conclui.
Já em declarações ao Jornal do Centro, o presidente da União das Adegas Cooperativas da Região do Dão (UDACA) revelou que a entidade já solicitou a intervenção das federações que representam o setor.
Fernando Figueiredo avisou que, caso não chovesse nos próximos dias, a situação seria “gravíssima”. “Preventivamente porque as coisas não estavam a correr muito bem, fizemos saber junto da nossa confederação Confagri e da nossa federação Fenadegas o problema que estávamos a viver. Se mantiver a situação tal como está, a situação da vinha vai ser gravíssima porque vai precisar de humidade e água e não tem”, acrescentou.
Além da seca, os viticultores também se queixam do aumento dos custos de produção. Fernando Figueiredo disse que a UDACA não pode fazer mais do que pedir ajuda para que os associados consigam resolver a situação.
O dirigente acrescenta que os custos de matérias-primas necessárias para a produção, nomeadamente adubos e herbicidas, “têm disparado”. “Tudo isso preocupa e leva que as pessoas ponham em causa o futuro da exploração vitivinícola nesta região”, concluiu.
O distrito de Viseu tem estado em seca moderada nos últimos dias. Caso a situação se agrave nos próximos dias, o distrito pode entrar em seca extrema. Mas o Instituto Português do Mar e da Atmosfera já prevê chuva sobretudo para este domingo (13 de fevereiro) na região.
Esta situação também tem levado a preocupações junto dos produtores de queijo e maçã do distrito, cuja produção também poderá estar comprometida em zonas como Armamar e Penalva do Castelo.