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O projeto “Muse-IN”, que acaba de ser criado em Viseu, surge com o intuito de reunir nómadas digitais em espaços culturais como os museus, de forma a dar a conhecer a cultura da região, anunciaram hoje os responsáveis.
“Os nómadas digitais são pessoas que trabalham muito isoladas, seja em casa ou noutros locais, e como estão fora de casa acabam por não ter uma rede familiar ou de amigos e esta iniciativa promove a socialização”, sustentou Gonçalo Costa.
O Muse-IN é a primeira iniciativa do projeto Viseu CoLab, liderado pelas associações Digital Nomads Viseu e INterioriza-te, e o primeiro encontro iniciou hoje, na Casa da Ribeira, em Viseu.
A Casa da Ribeira foi o primeiro museu municipal, outros se seguirão, a abrir as portas ao projeto Muse-IN e que juntou cerca de 30 nómadas digitais para um dia de ‘coworking’ com Cultura.
O objetivo, disse, é que “este tipo de encontro em museus municipais e não municipais aconteça, sensivelmente de três em três semanas e o dia de trabalho começa sempre com uma visita ao espaço museológico” em que estão.
“A ideia é dar a conhecer o museu e a cultura e história de Viseu. Temos nómadas digitais, trabalhadores remotos, ou até empreendedores, que também são bem-vindos, e esta é uma forma de partilhar a cultura e costumes” do Município.
Os encontros deverão acontecer à segunda-feira, “porque os museus estão fechados ao público e assim não interfere com a visita dos turistas”, acrescentou Gonçalo Costa, que realçou a “abertura total do Município de Viseu” para esta iniciativa.
“Temos cerca de 500 nómadas digitais no distrito de Viseu e são pessoas de variados países do mundo e com idades, maioritariamente, entre os 30 e os 50 anos. Cerca de 40% são portugueses de várias regiões distintas”, disse o responsável pela Digital Nomads, Pedro Salgadinho, oriundo da ilha de São Miguel, Açores, e a residir em Viseu.
Pedro Salgadinho indicou que “as pessoas, às vezes, sentem necessidade de trabalhar fora de casa, para mudarem de espaço, mas nos cafés é preciso consumir e nem sempre acolhem pessoas uma tarde inteira a trabalhar”.
“E há essa necessidade de trabalhar em espaços com outras pessoas, pelo menos alguns de nós sentimos isso, mas tem de ser um espaço com condições para ligarmos uma ficha à tomada, por exemplo”, referiu.
Para a representante da INterioriza-te, Marisa Almeida, cuja associação tem “alguma experiência de itinerância de ‘coworking’ na região Dão Lafões”, havia uma “necessidade de ter um espaço em Viseu” e “haver agora esta possibilidade de trabalhar nos museus e de os conhecer, é muito bom”.
Para Marisa Almeida, estes encontros “são uma forma de criar enraizamento para quem não o tem, porque está longe da família ou para quem escolheu o interior, ou mesmo a cidade de Viseu, para residir” e trabalhar remotamente.
“A cidade de Viseu tem sido muito procurada, porque é grande, mas suficientemente pequena para fazer a maior parte das coisas a pé, o centro tem tudo, serviços e comércio, e tem uma dinâmica boa, há sempre coisas a acontecer e isso é bom, porque a maior parte dos nómadas digitais não tem transporte e valoriza muito as cidades onde se pode fazer quase tudo a pé”, destacou Pedro Salgadinho.
Estes encontros, defendem os três protagonistas, têm ainda “a particularidade de uma partilha multicultural e ainda de promover a gastronomia da região”.
“Os nómadas digitais partilham muita informação entre si dos locais por onde passam e visitam e ao promovermos estes encontros em museus, e ao juntarmo-nos a almoçar, estamos a promover a economia local, mas estamos acima de tudo a promover a região e a nossa cultura”, salientou Gonçalo Costa que é natural de Viseu e, após 10 anos a estudar e a trabalhar fora, regressa às origens com este projeto.