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Quando fui chamado a tratar de um hospital

 Três histórias bem-dispostas
24.06.22
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 Quando fui chamado a tratar de um hospital

Faz alguns anos, a administração de um hospital em Lisboa pediu os meus serviços de consultor. Tinham um problema, a dificuldade de comunicação com os médicos. Durante dez manhãs falei com os médicos responsáveis pelos vários serviços. A primeira manhã parecia uma conversa de surdos e tive que mudar de estratégia. Lembrei-me de uma investigação que fizera onde comparava o funcionamento do corpo humano e o das organizações/empresas. Foi esse o caminho, eles ensinavam-me sobre o corpo humano e eu faria o paralelo com a gestão daquele hospital. Comecei por perguntar: Qual é o órgão decisor no corpo humano? Eles responderam, o cérebro! Então a proposta é começar por comparar o cérebro com a administração! Ouvi gargalhadas! Porque se riem?

Um deles respondeu: Talvez o problema comece aí? O cérebro recebe informação de todos os sistemas e órgãos do corpo, do meio exterior e ainda dos seus neurónios. A administração devia ouvir o corpo hospitalar, não ouve! Devia receber informação do exterior e só fala com o ministério! Devia falar entre os seus membros e eles não falam. Por isso, se o cérebro funcionasse como esta administração entrava em colapso. Claro que também há órgãos que não funcionam bem! Foi um bom princípio de conversa e dali saíram críticas e soluções. A administração não gostou de algumas, mas aceitou iniciar um diálogo com mais humildade! Um ano depois convidaram-me para almoçar, as coisas andavam melhor.

Por isso acho estranha a informação que anda por aí á volta do SNS? Uma informação á procura de um efeito de curto prazo e do quanto pior melhor! O problema do SNS começa por ser de organização e depois de comunicação. Isso só pode ser resolvido entre os profissionais de saúde e quem possa decidir! A discussão política quer um vencedor e um vencido, um herói e uma vítima, mas não resolve! Faz 4 anos que ando em dois hospitais de Lisboa a tratar dos meus olhos. Assisti á maior confusão no início. Agora, um mês atrás, parecia um outro mundo! Dei-lhes os parabéns e explicaram-me como tudo tinha acontecido. Pequenas mudanças na organização, mais uso da tecnologia e empatia. Ouçam os profissionais de saúde, não os agentes da desordem. Olhem o funcionamento do corpo humano e apliquem esse modelo á gestão da saúde, façam-lhe exames clínicos com frequência…

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