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7 de junho de 2019. Faltavam dois dias para Luís Aleluia subir ao palco do Mirita Casimiro, em Viseu. Na véspera do 10 de junho voltou a Viseu para, numa peça em contracena com Vítor Emanuel, marcar encontro com um público de uma “cidade de afetos”. Foi desta forma que o ator, que morreu esta sexta-feira, 23 de junho, se referiu a Viseu, numa entrevista ao Jornal do Centro que pode ouvir aqu.
Ao Jornal do Centro, Luís Aleluia lembrou as vindas a Viseu onde atuou com Ivone Silva e Camilo de Oliveira. “Foram dois mestres com quem aprendi muito. Também fiz em Viseu a animação do turismo sénior do INATEL. Tínhamos 600 pessoas a ver o nosso espetáculo”, recordou. Do público viseense, ficou-lhe na memória o facto de gostar e saber “acolher os seus artistas”.
Foi este, aliás, o pano de fundo desta conversa que o ator teve com o Jornal do Centro. Luís Aleluia apelou ao público que demonstre sempre o afeto pelos artistas. “Porque é que não se escreve uma carta para a Casa do Artista aos artistas que lá estão? A agradecer-lhes o trabalho. É bonito. E eles precisam”, afirmou.
Esteve durante anos ligado – e estava à data da morte – ligado à Casa do Artista. Ao Jornal do Centro, Luís Aleluia lembrou que a ideia partiu de Armando Cortez e Raul Solnado e vincou que “integrar este projeto que defende os artistas portugueses, é algo que me deixa bastante orgulhoso”.
O ator explicou que se apercebeu da “vulnerabilidade” da profissão de artista quando entrou na Casa que os acolhe. “Precisamos que o povo vá ao teatro. Os artistas precisam que gostem deles, vivem de afetos. O que me apercebi na Casa do Artista, é que, desaparecendo o palco, acabam por morrer um pouquinho”, acrescentou.
Como que rematando o ponto basilar da entrevista, Luís Aleluia afirmou que “o que conta é, depois de muitos anos de carreira, ficar guardado no coração dos portugueses”.
Numa conversa onde houve espaço para folhear uma carreira com mais de 50 anos, Luís Aleluia não esqueceu os “bons mestres” que teve. “Deixaram-me a sua marca e criei um percurso seguro e regular”, defendeu.
Conhecido como o “Menino Tonecas”, a série “As Lições do Tonecas” não poderia, de todo, passar ao lado da entrevista. Luís Aleluia referiu-se ao programa como algo “simples e despretensioso”, “que agarrou as pessoas de uma forma extraordinária e transversal”.
E sobre Morais e Castro, o professor que dava aulas ao “seu” Tonecas, Luís Aleluia referiu-se ao malogrado ator como “um mestre que me ensinou e corrigiu” e por quem nutria “referência nos valores pessoais”. E exemplificou. “O empenho, a ligação com os outros e o grande respeito perante os outros profissionais. Muitas vezes falha [isso] no meio artístico. Com os nossos egos, achamo-nos superiores aos outros”, sublinhou, acrescentando que nas artes, como na vida, deveríamos funcionar como equipa, cada um com um papel fundamental.
A entrevista foi gravada quatro anos antes da morte de Luís Aleluia. O ator foi encontrado sem vida em casa, na passada sexta-feira, 23 de junho. Para trás ficam 50 anos de carreira. Luís Aleluia, nascido em 23 de fevereiro de 1960 em Setúbal, teve várias participações em teatro e televisão, tendo ficado célebre pela interpretação como “Menino Tonecas” na Série da RTP, As Lições do Tonecas.
O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, referiu-se a Luís Aleluia como alguém com “talento, empatia e capacidade de conquistar o público de várias idades” .“Guardamos na nossa memória o que foi de facto o seu talento, a sua empatia, a sua capacidade de conquistar publico, de várias idades e ao longo de muito tempo”, elogiou o chefe de Estado.