Pela primeira vez em vários meses, o distrito de Viseu deixou de estar em situação de seca severa. Graças à chuva que tem caído nos últimos dias, a região passou a estar sob seca moderada e fraca, isto de acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Os dados vêm no boletim de análise climatológica relativo aos primeiros 14 dias de setembro divulgado pelo instituto. No final de agosto, a região continuava em seca severa, mas a precipitação fez melhorar a situação com valores acima do normal. Esta semana assistiu-se a uma chuva intensa motivada pelo ciclone extratropical Danielle.
Os meteorologistas apontam para “uma diminuição significativa da situação de seca meteorológica em todo o território”. Alguns locais do distrito de Viseu e também das regiões da Guarda e de Castelo Branco tiveram mesmo um “desagravamento muito significativo da seca meteorológica, passando da classe de seca severa para a classe de seca fraca”.
A chuva nessas zonas foi muito superior aos valores médios para o mês de setembro. Só a estação meteorológica do Aeródromo de Viseu registou 116,5 milímetros de precipitação.
A estação de Viseu cidade teve 84,5 milímetros, quando o normal seria 57. E Nelas teve 67,1 milímetros, também superior aos 50,4 de valor normal. Já a estação de Moimenta da Beira contabilizou 50,5 milímetros de chuva.
O aumento da água no solo foi “significativo e generalizado” em todo o território. No distrito de Viseu, os volumes aumentaram consideravelmente em comparação com o final de agosto. O aumento foi sentido nomeadamente no litoral Norte, em toda a região Centro e no Alto Alentejo. Mas alguns locais como a região Nordeste, o Baixo Alentejo e o Algarve ainda têm valores inferiores ao normal entre os 10 e os 20 por cento.
As quantidades de precipitação ocorridas na primeira quinzena de setembro verificaram-se principalmente de segunda a quarta-feira (dias 12 a 14) com os valores mais significativos a ocorrerem no interior Centro, em particular no distrito da Guarda, onde a chuva foi superior ao normal.
De acordo com o relatório do IPMA, verificou-se uma ligeira recuperação do valor acumulado de precipitação, mas que ainda continua muito inferior ao valor médio 1971-2000.
“Das situações de seca anteriores, a de 2004/05 era a que apresentava no final de setembro o valor mais baixo de precipitação acumulada. 2021/22 está próximo do valor acumulado do ano hidrológico 1944/45 e continua ainda a ser o 2.º valor mais baixo desde 1931/32”, escreve o instituto.
O IPMA avança que o valor da precipitação nos primeiros 15 dias de setembro corresponde, até à data, ao quarto setembro mais chuvoso desde 2000, sendo superado por 2014, 2002, 2006 e 2021.
A nível nacional, o país está agora maioritariamente em seca moderada de acordo com o índice PDSI (Palmer Drought Severity Index). Segundo o IPMA, 3,1 por cento do território está em seca fraca, 50,2% em seca moderada, 45,9% em seca severa e 0,8% em seca extrema.
Barragens continuam a fazer face à seca
Apesar da chuva dos últimos dias, tudo indica – segundo as previsões do IPMA – que o tempo volte a ser soalheiro com algumas nuvens nos próximos dias. Enquanto isso, as barragens do distrito continuam a fazer frente à seca.
Segundo a Agência Portuguesa do Ambiente, à data da passada segunda-feira (12 de setembro), antes da chuva se ter intensificado na região, a barragem de Aguieira tinha a mais elevada capacidade de armazenamento de água com 69 por cento.
Ribeiradio, que serve sobretudo o concelho de Oliveira de Frades, registava 62% de capacidade. Já Fagilde tinha 48%, baixando 5% em comparação com o início de setembro.
A barragem de Vilar, que serve o norte do distrito, continua com a situação mais grave com apenas 13 por cento de água armazenada.
Viseu atravessou onda de calor em agosto
Entretanto, já de acordo com o boletim climatológico de agosto que também foi publicado esta semana, caiu na região apenas 1,3 milímetros de chuva durante o mês passado, dos quais 1,1 só no dia 16.
Viseu atravessou uma onda de calor de 14 dias que se prolongou entre 29 de julho e 11 de agosto. E o vento chegou a ter rajadas de 50 quilómetros/hora no dia 26 do último mês.
Segundo os dados do IPMA, a estação meteorológica de Viseu registou em agosto médias de 15,7 graus de temperatura mínima e 31,4º de máxima. A temperatura mais baixa foi de 10,2º no passado dia 14 de agosto, enquanto a temperatura máxima absoluta foi de 37,8º logo no início do mês.
Já a norte, a estação de Moimenta da Beira registou um novo recorde de temperatura máxima em vinte anos com 41,2 graus no dia 1 de agosto. O anterior recorde tinha sido atingido há apenas quatro anos, altura em que o concelho teve 40,8º de máxima. A série de registos naquela estação meteorológica teve início em 2002.
Segundo o IPMA, o mês de agosto foi muito quente e seco em Portugal continental. O valor da temperatura média do ar foi de 23,30 graus, mais 1,15º do que o valor considerado normal. O valor médio da temperatura máxima do ar, 30,50º, e da temperatura mínima, 16,10º, também foram superiores ao normal.
Durante o mês passado, os valores de temperatura do ar estiveram quase sempre acima do valor médio mensal, exceto nos períodos dos dias 14 a 17 e 29 a 31. Os períodos mais quentes ocorreram nos dias 1 e 2 e de 19 a 23 de agosto.
De resto ocorreram duas ondas de calor em agosto: a primeira de 29 de julho a 14 de agosto em 11 estações, em especial no interior Norte e Centro, e a segunda entre 20 e 29 de agosto, na região Nordeste.
Em relação à precipitação, o mês de agosto foi o quarto mais seco desde 2000 com uma chuva que representou apenas cerca de 20 por cento do valor normal.