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Clara Gomes, pediatra no Hospital CUF Viseu
O regresso à escola representa, para muitas famílias, um momento significativo de transição, marcado pelo fim das férias de verão, o retomar das rotinas e o início de novos desafios. Para as crianças e adolescentes, esta fase pode gerar entusiasmo e curiosidade, mas também alguma ansiedade, insegurança ou resistência. A forma como cada criança vive este momento depende de múltiplos fatores como a idade, a experiência prévia, o contexto familiar e escolar, o temperamento individual e o estado geral de saúde física e mental.
A preparação para o regresso às aulas vai muito além da aquisição de material escolar. É, acima de tudo, uma oportunidade para reforçar comportamentos promotores de saúde e bem-estar para que o novo ano letivo decorra de forma segura e tranquila.
A higiene do sono surge como um dos aspetos mais críticos. Durante o verão, é habitual que os horários de deitar e acordar se tornem mais flexíveis. No entanto, sabe-se que o sono inadequado está associado a défice de atenção, irritabilidade, dificuldades de aprendizagem e maior risco de obesidade. O relatório do Programa Nacional para a Promoção da Atividade Física, Alimentação Saudável e Combate ao Excesso de Peso daDireção Geral da Saúde (DGS) recomenda que, nas semanas que antecedem o início do ano letivo, se reintroduzam rotinas de sono estruturadas, com horários consistentes, redução progressiva da exposição a ecrãs ao final do dia e ambientes promotores de tranquilidade à hora de dormir.
A alimentação é outro pilar essencial na promoção da saúde em contexto escolar. Estudos recentes desenvolvidos pela DGS demonstram que muitas crianças portuguesas não cumprem as recomendações nutricionais diárias, sendo frequente o consumo excessivo de produtos ultraprocessados e a omissão do pequeno-almoço. Este último, em particular, associa-se a um menor rendimento escolar, fadiga matinal e alterações do humor. A composição da lancheira deve respeitar os princípios da alimentação saudável definidos pela roda dos alimentos, devendo privilegiar alimentos frescos, pouco processados e adaptados às necessidades e preferências da criança.
Do ponto de vista emocional, é fundamental reconhecer que o regresso à escola pode despertar sentimentos contraditórios. Crianças que demonstram alterações do sono ou apetite, queixas físicas sem causa orgânica, regressões comportamentais ou recusa escolar, podem estar a manifestar ansiedade significativa. A escuta ativa, a validação emocional e a comunicação empática, estão associados a melhores resultados em saúde mental e desempenho académico.
É importante, ainda, salientar que esta fase é uma excelente oportunidade para realizar uma consulta de vigilância com o pediatra para monitorizar o crescimento e desenvolvimento, atualizar o plano vacinal, avaliar o estado de saúde geral e articular eventuais necessidades específicas, educativas ou outras, com a equipa escolar.
Mais do que um simples recomeço, o regresso à escola é uma oportunidade privilegiada para reforçar a base que sustenta o crescimento saudável, o bem-estar emocional e o sucesso futuro de cada criança.
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