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Suspeito de homicídio em Viseu entregou-se só depois de ter família em segurança

Arguido pediu desculpa à família da vítima e disse estar arrependido em tribunal. Julgamento continua no dia 18 com a audição de mais testemunhas

 Sindicato acusa diretor do Estabelecimento Prisional da Guarda de assédio e abuso de poder
11.03.26
fotografia: Jornal do Centro
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 Sindicato acusa diretor do Estabelecimento Prisional da Guarda de assédio e abuso de poder
11.03.26
Fotografia: Jornal do Centro
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 Suspeito de homicídio em Viseu entregou-se só depois de ter família em segurança

O homem suspeito de ter matado uma mulher a tiro no centro comercial Palácio do Gelo, em Viseu, disse hoje que se entregou às autoridades só 11 dias depois porque sabia que os familiares da vítima queriam vingança.

“Só depois de ver que a minha família estava em segurança é que liguei para a minha advogada e entreguei-me à Polícia Judiciária”, contou no Tribunal de Viseu, onde hoje começou a ser julgado por um crime de homicídio qualificado consumado, seis de homicídio na forma tentada, um de condução perigosa de veículo rodoviário e um de detenção de arma proibida.

Os factos ocorreram em 27 de dezembro de 2024, na sequência de uma altercação entre membros de duas famílias que se encontravam naquele centro comercial. O suspeito fugiu, mas acabou por se entregar à Polícia Judiciária no dia 07 de janeiro de 2025.

O arguido afirmou que, tal como suspeitava que fosse acontecer, a família de Josefa (que morreu depois de ter levado um tiro no peito) se vingou da sua.

“Invadiram o acampamento, partiram tudo a mim e aos meus familiares, vandalizaram carros e mataram animais”, contou, explicando que não se podia ter entregado antes porque tinha de defender a sua família.

A inspetora da Polícia Judiciária Sandra Roxo, que acompanhou o caso, referiu ao coletivo de juízes que os elementos das duas famílias não se conheciam antes, confirmando o que tinha dito o arguido.

“Falou-se [que o que aconteceu no Palácio do Gelo] era um acerto de contas, mas veio a ser demonstrado que se tratou de um conflito que se gerou naquele momento”, afirmou a inspetora.

Segundo o arguido, este conflito nem teria começado se os homens da família de Josefa não se tivessem metido na discussão que as mulheres estavam a ter no átrio exterior do Palácio do Gelo.

Na “lei cigana”, se “há uma contenda entre mulheres, os homens não se podem meter”, a não ser para as separar, explicou.

No entanto, como viu a sua mulher no chão, a ser agredida – o que a terá levado a sofrer um aborto dias depois, havendo já um processo-crime a decorrer – decidiu ir buscar um ferro, com o qual atingiu um dos homens da outra família.

Durante a manhã, o arguido assumiu que fez vários disparos, alguns dos quais mataram Josefa e feriram Marcelo e Lia, mas garantiu que a sua única intenção era tirar a mulher e o filho de dentro do centro comercial em segurança.

À tarde, o companheiro de Josefa, Marcelo, foi ouvido como testemunha, por videoconferência feita a partir do Estabelecimento Prisional de Coimbra, onde se encontra detido há 14 anos (em dezembro de 2024 estava em saída precária).

“A pessoa quando quer fazer mal faz. E ele veio com essa intenção. Se não queria fazer mal, chegava e dava dois tiros para o ar”, considerou Marcelo, contando que, quando o arguido se aproximou empunhando uma arma, levantou as mãos para demonstrar que estava desarmado e não queria problemas, mas isso não o impediu de disparar.

O arguido, que já de manhã tinha começado o depoimento a enviar condolências, a pedir desculpas e a mostrar-se “muito arrependido”, pediu a palavra para se dirigir a Marcelo.

“Confessei os meus crimes e apresento as minhas condolências. Lamento esta situação, se pudesse voltar atrás evitava esta tragédia. Mais uma vez peço desculpa às pessoas que magoei”, reiterou.

O julgamento prossegue no dia 18, com a audição de mais testemunhas.

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