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José Junqueiro
Nada ficou como dantes com as sucessivas eleições. Tudo começou em junho, para o Parlamento Europeu, em plena guerra entre a Federação Russa e a Ucrânia, Putin versus Zelensky. Um tema comum a todos os atos eleitorais. Por vezes nem nos damos conta das mudanças que estão a condicionar as nossas vidas. É o caso. As eleições para o PE, ao arrepio do temido crescimento exponencial da extrema direita, consolidaram uma maioria democrática com a dominância do Partido Popular Europeu (PPE) e da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas (S&D). A alemã Ursula von der Leyen obtém um segundo mandato como Presidente da Comissão Europeia, o português António Costa é o novo Presidente do Conselho Europeu, com apoio ativo do primeiro-ministro Luís Montenegro, e a primeira-ministra da Estónia, Kaja Kallas, será a alta representante para a Diplomacia Europeia e Política de Segurança. A extrema direita conta mais e reforçou-se na representatividade e na estratégia. Viktor Orbán, por sua iniciativa, fundou uma nova família política, os “Patriotas da Europa”, constituindo-se na terceira força política do PE com 84 deputados, incluindo os do Chega, ultrapassando os Conservadores e Reformistas europeus (ECR), liderados por Georgia Meloni. Ao mesmo tempo e durante os próximos 6 meses, o Presidente da Hungria, o mesmo Viktor Orbán, o líder mais eurocético da União Europeia – que paradoxo – assume a presidência rotativa sob o lema trumpista “Make Europe Great Again”, facto que já criou barulho de fundo em Bruxelas. E, sempre a somar equívocos, ainda que sem qualquer mandato nesse sentido, decidiu visitar Zelensky, Putin e Xi Jinping para espelhar uma hipócrita ronda pela paz, porque, como todos sabemos, a sua lealdade está enfeudada a Moscovo. Tal como referi no meu último artigo, ninguém percebe que esta Europa não possua líderes, instrumentos e coragem para evitar a sua “democrática erosão interna”.

No Reino Unido a previsível vitória dos Trabalhistas de Keir Starmer concretizou-se com uma maioria absoluta. Elegeram 412 dos 650 deputados e os Conservadores de Rishi Sunak, há 14 anos no poder, tiveram um dos piores resultados de sempre. A crise económica, os desmandos sucessivos dos Conservadores, o Brexit e alguns escândalos à cabeça, provocaram uma reação decidida do eleitorado. De facto, os “súbditos de Sua Majestade” foram conduzidos a uma encruzilhada de muito difícil solução. Apostaram na mudança, mas tempos difíceis e muitas expetativas esperam Keir Starmer e os Trabalhistas. Em França, na 2ª volta das legislativas, a surpresa aconteceu. A extrema direita de Marine Le Pen foi travada pela Nova Frente Popular (NFP), uma “geringonça” formada em tempo recorde por socialistas, comunistas, verdes e o partido esquerdista de Jean-Luc Mélenchon, a França Insubmissa, e passou de primeiro a terceiro lugar. Fazendo fé nos números finais mais atualizados, a Nova Frente Popular obteve 182 dos 577 lugares do Parlamento, a aliança de centro do presidente Mácron 158 e o Rassemblement National de Marine Le Pen e seus aliados, apenas 143. Já os Republicanos e outros partidos de direita garantiram 67. Não há maioria absoluta para nenhum dos lados pelo que a França e Mácron enfrentam um problema sério de eventual ingovernabilidade. Ventura, um dos protagonistas de “la grande bouffe” da extrema direita em Madrid, o Europa Viva 24, uma espécie de convenção dos partidos populistas e ultraconservadores, acabou a noite na rede “X” num “vale de lágrimas”, salvo seja, vociferando contra tudo e contra todos. Já as europeias em Portugal não lhe tinham corrido de feição. Que pena! O Irão, noutras latitudes, também foi a votos e elegeu Masoud Pezeshkian como o novo presidente, sucedendo a Ebrahim Raisi, falecido num acidente aéreo em maio último. Pezeshkian, cirurgião cardíaco, é um reformista conhecido, crítico em múltiplas ocasiões do regime político, da “polícia da moralidade” e do uso obrigatório do hijab. No entanto, é Ali Khamenei, o Chefe de Estado há mais tempo no poder no Oriente Médio, que detém o poder real no Irão. Não se avizinha fácil o mandato de Pezeshkian, mas é uma esperança para a maioria do povo iraniano. Finalmente, nos EUA, avizinha-se o dia “D” das eleições presidenciais com Trump a pontificar sobre a debilidade de Joe Biden. Trump não é o “Desejado” da maioria dos Republicanos, mas têm-lhe medo. Biden é uma pessoa de quem se gosta, mas já não é o “Desejado” dos Democratas pelo seu elevado grau de fragilidade. As sondagens dizem que nenhum dos dois é o “Desejado” do povo americano. Sabendo-se, como se sabe, da proximidade antiga entre Trump e Putin, bem como a sua indiferença pelo colapsar da Ucrânia e uma alergia à Nato, nada de bom existe que possa tranquilizar a Europa e o Mundo nos tempos mais próximos … e bem preciso era!!!
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