Oleksei Nazarenka foi um dos motoristas que na manhã desta terça-feira (8 de março) se fez à estrada ao volante de um dos três camiões que saíram de Viseu com várias toneladas de bens e que têm como destino a Polónia. Pela frente, quatro dias de viagem e quase quatro mil quilómetros de percurso.
Uma onda de solidariedade para com o povo ucraniano que não tem parado de aumentar e que vai permitir que nos próximos dias cheguem 96 toneladas de bens à fronteira polaca.
“O coração dói, o espírito doí e com esta ajuda eu mato um bocadinho esta dor. Obrigada a todos por esta ajuda, portugueses, ucranianos, câmara municipais, empresas, que me ajudaram a pagar esta viagem, todos se juntaram”, desabafou Oleksei antes de entrar no camião que pertence à empresa do qual é proprietário. Normalmente, França ou Espanha são os destinos, mas desta vez o rumo é outro: o país de onde é natural.
Desde o inicio do conflito entre a Rússia e a Ucrânia, já saíram de Viseu sete camiões, ao todo 106 toneladas de bens que foram recolhidos em diferentes pontos do distrito.
“Já colocamos um total de sete camiões, inicialmente três, agora quatro, saiu ontem um e hoje estes três, o que perfaz 106 toneladas e ainda dispomos no regimento de mais dois camiões, que vamos ter que operacionalizar”, disse Fernando Figueiredo, da Associação Viriatos 14.
“Houve uma rede de solidariedade que se montou, com o Politécnico, autarquia, Associação Viriatos 14, Associação de Ucranianos, a que se juntaram depois outras entidades, como o regimento, bombeiros, Cáritas, transportadoras, para que a recolha das dádivas que as pessoas deram voluntariamente e solidariamente chegassem à Ucrânia”, concluiu Fernando Figueiredo.
Para que os bens cheguem às fronteiras são muitas as empresas e instituições que estão a apoiar com o transporte, um dos camiões que hoje seguiu viagem foi pago pela Cáritas Diocesana de Viseu.
“[Esta ajuda] É importante e foi o apoio que nos pediram. Tínhamos indo ao encontro deles na perspetiva de darmos o nosso contributo, nomeadamente com alimentos e roupa mas eles fizeram-nos entender que aí até já tinham em excesso”, explicou Felisberto Figueiredo, presidente da Cáritas de Viseu.
A Câmara Municipal de Viseu tem coordenado toda a operação de solidariedade e já se mostrou disponível para acolher refugiados. Fernando Ruas, presidente da autarquia, não quis deixar de desejar boa viagem aos três motoristas que em breve chegarão à Polónia.
“As pessoas percebem a injustiça deste conflito, desta guerra, mas também é um sinal de que quando há necessidade de haver solidariedade as instituições estão cá. De salientar a espontaneidade com que os nossos empresários contactaram a autarquia
Andriy Dyakun, representante da comunidade ucraniana em Viseu, foi um dos muitos ucranianos que marcou presença na hora de desejar boa viagem. Visivelmente emocionado agradeceu todo o apoio dos portugueses.
“Temos que continuar e vamos arranjar forças, todos os viseenses e todo o mundo tem que arranjar força para chegar à vitória. E isto não vai ser uma vitória só da Ucrânia, vai ser uma vitória de luz contra forças negras”, disse.
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