No coração verde do concelho de Viseu, Côta é uma aldeia onde…
Nasceu, em Cinfães, a Quinta da Maria, um projeto turístico com alma…
No coração do Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros, há…
Foi há um ano, a 26 de setembro de 2021, que o país foi a votos para as autárquicas. No distrito de Viseu, num total de 24 concelhos, foram eleitos 11 novos presidentes, oito foram estreias. Um ano depois, os autarcas fazem um balanço positivo do trabalho já desenvolvido e mostram-se confiantes no futuro.
Em Vila Nova de Paiva, Paulo Marques (PS) foi o vencedor e garante que muitas das ideias e promessas eleitorais já foram cumpridas.
“Já cumprimos muito do nosso projeto eleitoral e temos a confiança que o vamos cumprir todo. Felizmente, fomos bem acolhidos e, a partir dai, conseguimos por o nosso plano em marcha, as nossas ideias e os nossos projetos. Posso dizer que, passado um ano, estou bastante satisfeito e motivado, porque já cumprimos muitas das coisas que queríamos cumprir e que levámos a votos e isso deixa-me satisfeito e abre-nos o caminho para cumprir todo o nosso projeto eleitoral”, destacou.
Educação, inclusão e alimentação saudável estão entre as áreas onde o executivo já cumpriu boa parte daquilo a que se tinha proposto. “Na parte da natalidade e infância cumprimos já tudo a que nos propusemos. Criámos uma creche gratuita para todos; conseguimos implementar as bolsas de estudo para o ensino superior, apesar dos votos contra do PSD; avançámos com uma cantina de gestão direta por parte da câmara municipal, sai-nos mais caro, mas vai-nos trazer benefícios a longo prazo para as crianças, porque temos outro tipo de confeção, de produtos. E reativamos também o nosso comercio local, porque compramos os nossos produtos localmente”, destacou Paulo Marques.
Na área da inclusão, o autarca destacou o financiamento assegurado para a criação do centro de atividades ocupacionais para cidadãos portadores de deficiência, sendo que em breve deverão arrancar as obras.
Para Paulo Marques, que venceu com 43,59 por cento dos votos, os maiores desafios neste primeiro ano de mandato prenderam-se, sobretudo, com o funcionamento de toda a “máquina autárquica”.
“A questão da máquina autárquica, da própria Câmara, o funcionalismo público, os procedimentos que têm que ser feitos, essa foi a maior dificuldade e desafio, o termos que nos habituar a tudo isto. Tínhamos uma velocidade que os serviços não conseguiam acompanhar, mas estamos já ajustados à realidade e fazemos com que as coisas aconteçam e funcionem um pouco melhor e mais rápido”, destacou.
Paulo Marques faz assim um balanço positivo, garantindo estar motivado para o que ainda falta deste mandato. “Não estou arrependido, estou muito motivado para, se tudo correr bem, os muitos anos que me faltam enquanto presidente de câmara, porque apresentando trabalho será muito difícil que alguém chegue com um projeto diferente e convença as pessoas”.
Em Mortágua, Ricardo Pardal foi o presidente eleito, com 61,90 por cento dos votos. No balanço ao primeiro ano, o autarca destaca “o trabalho e a dedicação a Mortágua e aos mortaguenses”, naquilo que diz ser um balanço positivo.
“Já conseguimos atingir alguns objetivos, não todos, até porque foi preciso inteirarmo-nos de uma quantidade enorme de processos e projetar já soluções para o futuro. Mas, faço um balanço positivo, conseguimos atingir grande parte dos objetivos e estamos a trabalhar afincadamente para cumprir os compromissos que assumimos”, frisou.
Ricardo Pardal destacou as ETAR, as políticas fiscais e o apoio às associações locais como algumas das preocupações e trabalho desenvolvido ao longo deste primeiro ano de mandato.
“Há problemas de fundo, nomeadamente relacionados com as questões do sistema de tratamentos, as ETAR, e que estamos a intervencionar, numa primeira fase, cinco equipamentos e estamos já a projetar intervenções a médio longo prazo no sistema de drenagem do concelho e de nos sistemas de tratamento. Víramo-nos, acima de tudo, para as questão das pessoas: a educação, apoio às famílias, crianças e jovens, com um programa ambicioso e que tem dado resultados, nomeadamente o alcançado pelo Agrupamento de Escolas de Mortágua”, frisou.
Na política fiscal, Ricardo Pardal sublinhou o apoio na aquisição de fichas e material escolar, ATL, transporte escolar gratuito em todos os níveis de ensino e no trabalho que está a ser desenvolvido com o Agrupamento de Escolas na transferência de competências.
O autarca lembrou ainda “parte desportiva e cultural, a retoma da atividade das associações e o apoio dado aos seus investimentos e atividades”.
“Estamos a desenvolver um trabalho integrado a todos os níveis da governação em Mortágua para tornar o concelho naquilo que pretendemos, que é uma melhor Mortágua”, disse
Quanto aos grandes desafios deste ano de mandato, Ricardo Pardal apontou o “arrumar da casa”.
“Os maiores desafios, acima de tudo, arrumar a casa. Uma casa desarrumada e que nos primeiros seis meses, e é um trabalho que continua a ser diário, houve necessidade de alterar mentalidades e fazer com que toda esta equipa dos funcionários municipais percebessem que a razão do trabalho deles é existirem munícipes com problemas para resolver”, explicou.
O autarca falou ainda numa outra dificuldade, “a falta de recursos humanos que o município tem”. “Foi necessário proceder à alteração de toda a documentação administrativa, nomeadamente o organograma da câmara, o mapa de pessoal, reestruturar e reorganizar a estrutura funcional para dar resposta às necessidades atuais de Mortágua e, só passado um ano, é que temos condições para iniciar um processo de recrutamento e reforçar os recursos humanos do município, tanto na parte operacional como administrativa, para conseguirmos dar resposta”, disse.
Ricardo Pardal falou ainda nas dificuldades que a Europa atravessa e que têm fortes impactos na vida das autarquias, sobretudo em municípios de menor dimensão como Mortágua.
“Contrariamente ao que outros pensam, estou muito cético relativamente ao que aí vem, os municípios de pequena dimensão estão extremamente pressionados. Temos tido subidas enormes no preço da energia elétrica, gás, e que, de alguma forma, estão a condicionar fortemente a atividade e as decisões de investimento dos municípios de pequena dimensão”.
Ainda assim, Ricardo Pardal garante estar contente com o trabalho desenvolvido. “Sou mortaguense com orgulho, nascido e criado, gosto muito da minha terra, faço o que gosto, em prol do próximo, e dá-me uma realização enorme ter uma coisa muito simples: capacidade e poder de decisão para resolver problemas às pessoas e é isso que me motiva e me faz levantar todos os dias para trabalhar com alegria”, finalizou.
O Jornal do Centro contactou os oito “estreantes”, mas não foi possível chegar à fala com todos eles.