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Varizes: não adie o tratamento

28.05.26
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Medical professional in a white lab coat with arms crossed, standing against a light blue background.

por
André Marinho, especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular no Hospital CUF Viseu

Estima-se que cerca de um terço da população adulta tenha varizes. A maioria das pessoas começa por ignorá-las, acreditando que se trata apenas de um problema estético, sem consequências reais para a saúde. Mas quem procura uma avaliação médica – porque sente as pernas cansadas ou pesadas, sobretudo no final do dia, ou porque aquelas veias mais visíveis passaram a incomodar –, percebe que as varizes podem ser o sinal de uma doença que merece atenção e tratamento. 

As varizes resultam da falência das válvulas das veias das pernas, que deixam de cumprir a importante função de devolver o sangue ao coração de forma eficiente. A pressão aumenta progressivamente e as veias dilatam-se. Este é, portanto, mais do que um problema estético — sem tratamento, a doença venosa tende a agravar-se, podendo evoluir para complicações como inflamação, trombose venosa superficial ou, nos casos mais avançados, úlceras de difícil cicatrização. 

É precisamente por isso que o diagnóstico e o tratamento precoces fazem diferença. Uma avaliação médica permite classificar a gravidade da doença e orientar a melhor estratégia terapêutica para cada caso. O adiamento do tratamento pode significar, a médio prazo, uma abordagem mais complexa e um impacto crescente na qualidade de vida. 

Relativamente ao tratamento cirúrgico, é importante salientar que os avanços recentes nesta área possibilitam hoje alternativas minimamente invasivas. Técnicas como a ablação com cola biológica ou o tratamento por endolaser permitem tratar as veias afetadas com uma recuperação relativamente rápida e um retorno às atividades habituais em poucos dias. Os resultados, tanto clínicos como estéticos, são comprovados e consistentes. 

A cirurgia convencional mantém, contudo, o seu papel, em casos selecionados, sendo igualmente segura e eficaz. A escolha da técnica mais adequada depende sempre das características individuais de cada doente e deve ser feita em conjunto com o cirurgião vascular. 

O que importa reter é que as varizes têm tratamento eficaz. Nunca esquecendo, no entanto, que se trata de uma doença crónica. O acompanhamento médico regular e algumas adaptações no estilo de vida fazem parte de uma gestão responsável da doença, a longo prazo.

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