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A cidade de Viseu será, durante dez dias de maio, um território de diálogos artísticos, sociais e humanos que desafiam a comunidade a refletir sobre o mundo contemporâneo e as suas fronteiras.
A bienal “What’s Beyond That Border” (O que está para além da fronteira) foi hoje apresentada publicamente e decorrerá entre 21 e 31 de maio, no âmbito do Contrato Local de Desenvolvimento Social (CLDS) 5G promovido pelas Obras Sociais de Viseu.
“Nós não vamos falar da imigração, nós queremos falar com a imigração. E esta é uma diferença muito grande”, frisou o presidente das Obras Sociais de Viseu, José Carreira.
Com direção artística do bailarino e coreógrafo Romulus Neagu (natural da Roménia), a programação da bienal irá desenvolver-se sobretudo no espaço público, seja na escadaria de São Teotónio, em escolas ou em lugares inesperados.
“Tentamos, através de todas as atividades, ir além do traje folclórico, da gastronomia tradicional, e focar nas pessoas que vão chegando a este território, tal como eu cheguei há 30 anos, para contribuir para a abertura de um espaço cultural na cidade”, sublinhou.
Segundo Romulus Neagu, uma das preocupações foi chegar aos jovens e, por isso, um dos eixos programáticos da bienal será dedicado a intervenções em espaços escolares, envolvendo os agrupamentos Grão Vasco e Infante D. Henrique, as escolas secundárias Viriato e Emídio Navarro, e a Escola Profissional Mariana Seixas.
“Vamos desenvolver ‘workshops’, ateliês performativos, residências com artistas convidados, espetáculos que vão ser apresentados no contexto escolar. Já temos a previsão de chegar a perto de 500 alunos”, afirmou.
Outro eixo da programação tem a ver “com os diálogos, as rodas de conversa e os pensamentos críticos”, que contará com um núcleo de oito curadores que desenvolverão várias conferências.
“Temos ativistas de renome, artistas, escritores e desportistas que vão participar nestas conferências de reflexão sobre as fronteiras, a circulação das pessoas, a arte, o desporto e outras linguagens”, avançou o bailarino.
O eixo dedicado às performances e espetáculos integra apresentações públicas “realizadas com a participação de artistas residentes em Viseu e noutros territórios nacionais, a maioria deles estrangeiros”.
Romulus Neagu disse que o objetivo da bienal passa também por enriquecer a oferta cultural da cidade, não com “um festival que vai ficar fechado na sua bolha”, mas sim com uma iniciativa aberta à comunidade e que vá ao encontro de um grande número de pessoas.
A escadaria de São Teotónio foi o local escolhido para apresentar as performances e os espetáculos: “É um belíssimo lugar de passagem, é uma fronteira, são patamares, vários níveis”.
O coreógrafo disse que, em fevereiro, começaram “vários trabalhos comunitários com impacto muito forte nos artistas não profissionais de várias nacionalidades e o foco nos jovens”.
“A geração nova tem uma outra dinâmica, uma outra forma de pensar, de ver não apenas o presente, mas especialmente de ver o futuro”, justificou.
Hoje, foi já lançado o desafio a toda a comunidade para fazer parte ativa da primeira edição da bienal, através da partilha de “fotografias, vídeos, registos sonoros, poemas, pinturas ou testemunhos que reflitam sobre a imigração e sobre as emoções, memórias e imagens associadas a palavras como fronteira, acolhimento, partida ou chegada”.
O objetivo é, de acordo com Romulus Neagu, criar um mural virtual e, se houver tempo, “fazer também um mural físico”.
José Carreira disse ter “uma grande expectativa” relativamente ao que vai acontecer no espaço público durante a primeira bienal “What’s Beyond That Border” e fez votos de que ela “possa evoluir para algo não maior, mas melhor, e chegar a mais pessoas”.