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O envelhecimento da população, o aumento da prevalência das doenças crónicas e a crescente complexidade dos cuidados e exigências de saúde estão a redefinir os desafios da prestação de cuidados na região. Ao longo da última década, o Hospital CUF Viseu tem vindo a adaptar a sua resposta a esta realidade, reforçando a diferenciação clínica, a capacidade diagnóstica e a articulação entre especialidades. No mês em que assinala o seu 10.º aniversário, a adjunta da direção clínica e especialista em Medicina Interna, Joana Lemos, faz um balanço da evolução e partilha a visão do Hospital CUF Viseu sobre os desafios que irão marcar o futuro da prestação de cuidados de saúde na região.
A região de Viseu acompanha uma realidade cada vez mais marcada pelo envelhecimento da população e pelo aumento das doenças crónicas. Como é que o Hospital CUF Viseu tem procurado responder a esta evolução?
Estamos perante uma realidade demográfica que tem vindo a transformar profundamente as necessidades de saúde da população. Hoje, vivemos mais anos, mas também convivemos durante mais tempo com doenças crónicas como a diabetes, as doenças cardiovasculares, respiratórias ou oncológicas. Ao longo destes 10 anos, o Hospital CUF Viseu tem procurado adaptar-se a esta evolução, reforçando a diferenciação clínica e a articulação entre especialidades para responder a doentes cada vez mais complexos. A Medicina Interna tem uma posição privilegiada neste contexto, porque acompanha frequentemente doentes com múltiplas patologias em simultâneo e ajuda a garantir uma visão integrada do seu percurso clínico.
O objetivo é garantir que cada pessoa encontra as respostas adequadas às suas necessidades em cada fase da doença, com continuidade, proximidade e uma abordagem centrada naquilo que realmente faz diferença para a sua qualidade de vida.
Esta evolução traduziu-se também na criação de respostas diferenciadas para patologias de elevada prevalência e complexidade, como a Unidade da Diabetes, criada em 2022; a Equipa Intra-Hospitalar de Cuidados Paliativos, em 2023; ou a Unidade de Insuficiência Cardíaca, em 2024.
Fala-se frequentemente da importância do diagnóstico precoce. Que papel desempenha a Imagiologia nesta capacidade de resposta?
A Imagiologia é uma das áreas determinantes na medicina moderna. Não estamos apenas a falar de diagnóstico, mas da capacidade de orientar decisões clínicas de forma mais rápida e mais precisa.
Em áreas como a oncologia, a cardiologia, a mais variada patologia cirúrgica, bem como na avaliação de doenças crónicas complexas, a qualidade e a rapidez do diagnóstico têm impacto direto na definição do tratamento e nos resultados obtidos.
O Hospital CUF Viseu tem investido de forma consistente em tecnologia e diferenciação nesta área, permitindo disponibilizar exames de elevada qualidade técnica e apoiar as equipas clínicas na tomada de decisão. Quanto mais cedo identificarmos um problema de saúde, maior é a probabilidade de intervir numa fase em que os tratamentos são mais eficazes e menos invasivos.
Ao longo destes 10 anos, o Hospital CUF Viseu realizou mais de 538 mil exames de diagnóstico, refletindo o papel central desta área na atividade assistencial. Esta aposta foi, aliás, reforçada com a instalação de uma TAC de última geração e com a renovação tecnológica da Ressonância Magnética.
A diabetes é uma das doenças crónicas com maior impacto na população portuguesa. O que diferencia a abordagem da Unidade da Diabetes do Hospital CUF Viseu?
A diabetes é um excelente exemplo de como uma doença crónica exige uma abordagem integrada e de longo prazo. O principal elemento diferenciador da nossa Unidade da Diabetes é precisamente essa visão global, que vai muito além do controlo dos valores analíticos.
A criação da Unidade da Diabetes, em 2022, representou um passo importante na resposta a uma das doenças crónicas com maior impacto na população portuguesa. Para além de tratar a doença metabólica em si, procuramos capacitar o doente e/ ou os seus cuidadores na gestão desta condição, prevenir complicações e promover uma gestão integrada do risco cardiovascular, renal, neurológico e oftalmológico associado à diabetes. A criação da Unidade da Diabetes permitiu estruturar uma resposta dedicada a uma doença que afeta um número crescente de pessoas e que exige acompanhamento continuado ao longo da vida.
O foco está na prevenção de complicações, na promoção da autonomia do doente e na adoção de hábitos que permitam otimizar a gestão da doença e melhorar a qualidade de vida. Para isso, contamos com uma articulação próxima entre Medicina Interna, Nutrição, Oftalmologia, Cardiologia e outras especialidades que desempenham um papel fundamental no acompanhamento destes doentes.
Esta abordagem permite-nos atuar de forma preventiva e personalizada, contribuindo para melhores resultados clínicos: mais anos à vida e mais vida aos anos.
A oncologia é uma área particularmente exigente pela complexidade clínica e emocional que envolve. Como é hoje organizada esta resposta?
A resposta oncológica exige uma articulação muito próxima entre diferentes especialidades e profissionais de saúde. Esta articulação é particularmente importante numa altura em que os tratamentos oncológicos são cada vez mais personalizados e exigem a participação de diferentes especialidades na definição da melhor estratégia terapêutica.
Hoje sabemos que o tratamento do cancro não depende apenas de uma intervenção ou de uma única equipa; depende da capacidade de reunir diferentes perspetivas clínicas para encontrar a melhor solução para cada doente.
No Hospital CUF Viseu, os doentes são avaliados de forma multidisciplinar, envolvendo as especialidades necessárias em cada situação, desde o diagnóstico até ao tratamento e acompanhamento posterior. Esta abordagem permite decisões mais informadas, maior personalização dos cuidados e uma resposta mais consistente ao longo de todo o percurso da doença.
Paralelamente, procuramos assegurar um acompanhamento próximo do doente e da sua família, porque a dimensão humana é inseparável da qualidade clínica dos cuidados prestados, em particular em fases da vida de especial fragilidade, que são tão frequentes no decurso da jornada de uma doença oncológica.
Ainda persistem alguns mitos associados aos cuidados paliativos. Qual é hoje o seu verdadeiro papel?
É importante desmistificar a ideia de que os cuidados paliativos se destinam apenas aos últimos dias de vida. Na realidade, o seu papel é muito mais amplo e deve ser integrado precocemente no acompanhamento de muitas doenças crónicas e complexas.
Os cuidados paliativos têm como principal objetivo melhorar a qualidade de vida, através do controlo de sintomas físicos, do apoio emocional e da resposta às diferentes necessidades do doente e da sua família.
Quando integrados de forma atempada, permitem reduzir o sofrimento, melhorar o bem-estar e complementar o trabalho das restantes equipas clínicas, contribuindo para uma abordagem verdadeiramente centrada na pessoa. Esta visão ganhou um reforço importante com a criação da Equipa Intra-Hospitalar de Cuidados Paliativos, em 2023, permitindo integrar esta abordagem de forma mais estruturada e precoce no acompanhamento de doentes com necessidades complexas.
Que modelo de cuidados o Hospital CUF Viseu tem implementado para responder aos desafios de saúde que hoje enfrentamos?
A crescente prevalência das doenças crónicas e o envelhecimento da população exigem uma mudança na forma como os cuidados de saúde são organizados. Hoje, mais do que responder a episódios isolados de doença, é necessário acompanhar percursos de saúde cada vez mais complexos e prolongados.
No Hospital CUF Viseu, apostamos num modelo que privilegia a articulação entre especialidades, a continuidade dos cuidados e a personalização das respostas. A diferenciação de um hospital mede-se não apenas pela qualidade técnica dos seus profissionais, mas também pela capacidade de coordenar competências distintas em benefício do doente.
É esta integração entre diagnóstico, tratamento, acompanhamento e promoção da qualidade de vida que permite alcançar melhores resultados em saúde e responder aos desafios do futuro.
A criação de unidades dedicadas à Diabetes e à Insuficiência Cardíaca ou o desenvolvimento da resposta em cuidados paliativos são exemplos desta aposta em modelos de cuidados mais integrados e centrados nas necessidades dos doentes.
Quando olha para o futuro da saúde na região, qual considera ser o principal contributo do Hospital CUF Viseu?
O principal contributo do Hospital CUF Viseu continuará a ser a capacidade de disponibilizar cuidados de saúde diferenciados e cada vez mais completos na região, permitindo que muitas pessoas encontrem localmente respostas que anteriormente implicavam, por exemplo, deslocações para outras cidades.
Ao longo destes 10 anos, o hospital afirmou-se como uma referência regional, acompanhando mais de 529 mil doentes, realizando mais de 860 mil consultas, mais de 24 mil cirurgias e mais de 52 mil internamentos. Estes números refletem não apenas crescimento, mas sobretudo a confiança que a população deposita nas nossas equipas.
Olhando para o futuro, o desafio passa por continuar a apostar na diferenciação clínica, na inovação e em modelos de cuidados cada vez mais integrados, capazes de responder às necessidades de uma população mais envelhecida e com doenças mais complexas, sem perder a proximidade que deve caracterizar a prestação de cuidados de saúde.