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O Tesouro – Museu da Catedral de Viseu recebe, a partir de 7 de fevereiro, o projeto “Beguinas – Este Movimento Não Cessa”, uma criação artística que recupera a memória e o espírito do movimento medieval das Beguinas, um grupo de mulheres que, desde o século XII, marcou a Europa pela sua coragem, independência e ação social transformadora.
A artista Ana Seia de Matos apresenta uma série de sete peças escultóricas em sisal cru, produzidas em crochet, onde a técnica artesanal se transforma em gesto poético e memória material das práticas comunitárias. Já Mariana Silva assina uma performance que cruza movimentos inspirados nas Beguinas com reflexões surgidas das conversas mantidas ao longo da investigação.
O projeto propõe, assim, um diálogo entre diferentes linguagens artísticas e uma reflexão sobre a importância do cuidado, da comunidade e da ação coletiva.
Originárias da Bélgica e posteriormente disseminadas por vários países europeus, as Beguinas constituíram uma comunidade feminina que ousou viver de forma autónoma num tempo dominado pelo poder eclesiástico. Fundaram hospitais e orfanatos, alfabetizaram populações vulneráveis e ensinaram ofícios a mulheres reclusas, apoiando-as na reconstrução da vida após a libertação. A sua postura emancipada e o compromisso com o bem comum valeram-lhes a classificação de subversivas, mas também um legado de impacto social profundo.
Inspirado neste exemplo histórico e confrontando-o com os desafios de uma contemporaneidade marcada pelo individualismo, o projeto desenvolveu-se a partir de um trabalho de proximidade com associações e comunidades que atuam junto de pessoas vulneráveis em Viseu.
A estreia está marcada para 7 de fevereiro, às 15h, no Tesouro – Museu da Catedral de Viseu, seguida de uma mesa-redonda sobre o processo criativo e do lançamento de um livreto alusivo ao projeto.
Estão previstas duas novas apresentações no dia 14 de fevereiro, às 14h30 e 15h30. A entrada é gratuita, mediante reserva.
As obras permanecerão expostas no museu até 31 de março.