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O presidente da Câmara Municipal de Mangualde, Marco Almeida, congratulou-se com o anúncio do Governo relativo ao relançamento do projeto da Barragem de Girabolhos, considerando-o um passo decisivo para o reforço da segurança e para a gestão hídrica na região.
A posição foi a anunciada após uma reunião realizada esta terça-feira com os autarcas de Viseu, João Azevedo, e de Coimbra, Ana Abrunhosa, centrada na análise das recentes cheias que têm afetado o país, com especial incidência na bacia do rio Mondego.
Para o autarca de Mangualde, o relançamento do projeto representa “uma boa notícia para a região”, não apenas no que diz respeito à mitigação das cheias, mas também pela sua relevância na criação de reservas estratégicas de água para a agricultura, o abastecimento público e o combate a incêndios.
A Câmara de Seia lamenta que o Governo tenha anunciado o concurso para a barragem de Girabolhos sem “qualquer contacto prévio” com os municípios onde vai ser construída e pede contrapartidas do Estado.
“Esta decisão revela uma visão centralista que continua a tratar o Interior como território descartável, chamado apenas a pagar o preço das opções tomadas em Lisboa, sem ouvir os seus representantes eleitos e as populações, que há mais de 70 anos vivem sob a ameaça permanente deste projeto”, critica o presidente da Câmara, Luciano Ribeiro, em comunicado enviado à agência Lusa.
Já o autarca de Seia, no distrito da Guarda, manifesta solidariedade com as populações afetadas pelas cheias do Mondego, mas rejeita “liminarmente a forma, politicamente errada e institucionalmente desrespeitosa”, como o Governo anunciou o lançamento do concurso, “sem qualquer contacto prévio com os municípios diretamente atingidos pela sua construção”.
Luciano Ribeiro avisa que Seia “não aceita que as soluções de uns se tornem problemas de outros, impondo sacrifícios aos mesmos de sempre”, e defende que “a solidariedade imposta ao território seja acompanhada de compromissos claros e vinculativos” do Estado.
Entre as contrapartidas exigidas estão “a correção imediata do tarifário da água cobrado em alta, que penaliza severamente os municípios do Interior, e a concretização das acessibilidades rodoviárias (IC6, IC7, IC37, IC12), há décadas prometidas e sistematicamente adiadas”.
A construção da barragem de Girabolhos, no rio Mondego, no concelho de Seia, integra a estratégia nacional “Água que Une” para o abastecimento e distribuição eficiente de água.
O empreendimento já constava do Programa Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroelétrico, lançadas pelo governo de José Sócrates, mas a sua construção foi cancelada em abril de 2016, quando já tinha sido concessionada à Endesa.
Na terça-feira, a ministra do Ambiente e Energia anunciou que o concurso público para a construção da barragem de Girabolhos vai ser lançado até final de março.
“Vou fazer um despacho a solicitar à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) para lançar o concurso de Girabolhos até ao final de março”, informou a ministra, em Coimbra.
A APA vai agora definir o calendário da construção e dos objetivos da barragem de Girabolhos. O projeto abrange território dos concelhos de Seia e Fornos de Algodres, no distrito da Guarda, e de Nelas e Mangualde, no distrito de Viseu.
O encontro entre os autarcas de Viseu, Coimbra e Mangualde serviu para partilhar preocupações comuns e articular estratégias conjuntas, numa altura em que os sucessivos episódios de inundação têm provocado prejuízos consideráveis às populações, ao território e às atividades económicas da região. Os três autarcas defenderam a necessidade urgente de avançar com medidas eficazes de controlo e contenção das águas do Mondego, de forma a prevenir novos cenários de risco.